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Poesia em estado puro Novembro 16, 2009

Posted by eliesercesar in Poesia.
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O bebê é Maria Cecília, minha filha e de Andréia, para quem fiz o poema anunciatório, bisado abaixo porque a solenidade inaugural do nascimento requer.

Meu cochilinho

CIRANDA DE MARIA CECÍLIA

I

Envolta na brisa,

Vem Maria Cecília.

No sopro do vento,

Ela brinca e desliza.

II

Embalada em cantiga,

Velha, nova ou antiga,

Dorme ainda na névoa,

Maria Cecília.

III

Do céu , um retalho,

das nuvens, amiga,

Sem vestido ou camisa,

Perfumada de orvalho,

Como que não avisa,

Vem envolta na brisa

Maria Cecília.

IV

Para o riso e a ferida,

E a experiência incessante

Vem sem pressa  a infante,

“Cheiiiiinha” de vida.

MEMÓRIA E POESIA Novembro 6, 2009

Posted by eliesercesar in Prosa.
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Mnemósine

 

Fincadas solidamente na tradição e  renovadas pelas novas gerações,  as artes têm  em Mnemósine – filha de Urano e de Gaia e mãe das sete  musas – sua protetora mitológica. É a ela a quem acorrem os artistas nos momentos cruciais de esquecimento. Afinal, sem a memória, de priscas  ou recentes eras,  (personificada justamente por  Mnemósine)  não há continuidade da história, inclusive da história da arte. (mais…)

MAUSOLÉU EM TUCANO Novembro 3, 2009

Posted by eliesercesar in Contos.
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Mausoléu

I

Tucano é um lugar muito feio. Imagine uma cidadezinha sem graça, socada dentro de um buraco, com gente falando “vôte” por todos os lados. É Tucano. Se ao menos tivesse a plumagem vistosa da ave que lhe empresta o nome…Mas, não tem pluma nenhuma. É um cu pelado. Não recomendo a ninguém que vá para lá de visita.. A bem da verdade, não recomendo que vá nem de passagem. Quem quiser evitar o lugar, é só prosseguir viagem até Euclides da Cunha. Eu mesmo sou vou lá por causa de uns parentes e parente todo mundo sabe como é: reclama se a gente não fizer uma visita, nem que seja uma vez por ano ou a cada dois anos; do contrário somos metidos à besta, senão uma besta completa. (mais…)

CIRANDA DE MARIA CECÍLIA Outubro 29, 2009

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Menibnas

 

I

Envolta na brisa,

Vem Maria Cecília.

No sopro do vento,

Ela brinca e desliza.

II

Embalada em cantiga,

Velha, nova ou antiga,

Dorme ainda na névoa,

Maria Cecília.

III

Do céu, um retalho,

Das nuvens, amiga,

Sem vestido ou camisa,

Perfumada de orvalho,

Como que não avisa,

Vem envolta na brisa,

Maria Cecília.

IV

Para o riso e a ferida,

E a experiência incessante

Vem sem pressa  a infante,

“Cheiiiiinha” de vida.

CONDIÇÃO HUMANA Outubro 13, 2009

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Mulher chorando

Está vendo aquela mulher, triste e chorosa,

Que vai ali?

É só uma mulher, chorosa e triste,

Que vai ali….

Como um inocente a lugar nenhum.

OS DIAS SIMPLES Outubro 9, 2009

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Amanhecer

Não há muito o que pensar na vida.

Não há demônios sozinhos na alma.

Há essa ânsia de romper

o viciado cerco das horas

e viver com perfeição,

como um simples dia simples.

Bala Perdida Outubro 2, 2009

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Pipa 3

Tudo é ritmo na infância, tudo é riso…”

(Infância, Paulo Mendes Campos)

1

O avô do menino cavalgava nos campos.

O pai do menino jogava bola na rua.

Era alazão, o brinquedo do avô.

De couro, a bola do pai.

O mundo ainda comportava inocências;

o pai, um brilho nos olhos do avô;

o menino,  chama desejada na íris do pai.

O avô do menino cavalgava nos campos.

O pai do menino jogava bola na rua.

Com sua pipa emplumada, o menino subiu à laje.

2

A pipa ganhou o céu.

CORRIDA Setembro 25, 2009

Posted by eliesercesar in Contos.
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Corrida

Quando o ônibus subiu na calçada do Mosteiro de São Bento, olhei instintivamente para trás. A cidade parecia ter sido sacudida por um terremoto. As pessoas corriam estampando na face um medo primitivo. Os velhos, as mulheres e a crianças ficavam para trás e eram pisados pelos homens da retaguarda. Preocupada em salvar a própria pele, nenhuma alma caridosa estendia a mão aos que caíam. Resolvi me refugiar na igreja dos beneditinos, mas, logo na entrada, tive que me abrigar num canto de parede, para não ser levado de roldão por uma extraordinária procissão:  puxado pelo padre, com os cabelos em desalinho e a batina esvoaçando ao vento, um séquito de fiéis deixava o templo, em desabalada carreira, como se tentasse escapar de um sítio bombardeado. (mais…)

UTOPIA ESTILHAÇADA – - No romance Glória partida ao meio, Paulo Martins faz um acerto de contas com a geração revolucionária dos anos 60. Setembro 21, 2009

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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capa_livro

O ano é 1969. A ditadura militar que, cinco antes dera o golpe de Estado, endurece o regime de exceção com o famigerado AI-5. Enquanto o Ato Institucional cassa, o braço armado da repressão caça, prende, tortura e assassina seus opositores. A esquerda brasileira se fragmenta, dividida entre duas correntes, a política, para a qual  o combate  ao regime dos generais deve cumprir etapas, em buscas de condições objetivas para a retomada do poder, e a militarista, defensora da luta armada, sem tréguas, até a vitória final, num misto de romantismo revolucionário e voluntarismo romântico. Sob o tacão dos coturnos e das baionetas, um a um os quadros da guerrilha urbana vão caindo nas mãos dos repressores do Estado e os aparelhos dos militantes de esquerda estão sendo esfacelados. Os partidos, as células partidárias, as facções da guerrilha acabam, impiedosamente, asfixiados.

É neste cenário de conflagrações, medo, coragem, covardia e heroísmo, que um jovem, mas experimentado dirigente de uma célula comunista, a Centelha, se divide entre a paixão revolucionária – a abdicação completa da felicidade pessoal em nome da causa comum – e o amor por uma bela e culta francesa, recém-chegada ao palco das feridas expostas de um período que o Brasil mergulhou em trevas, sangue e truculência. Ricardo e Florence formam o par romântico de  Glória partida ao meio, o primeiro romance  do escritor baiano Paulo Martins, que chega agora as livrarias brasileiras pelo selo 7 Letras. (mais…)

Trecho inicial do livro Contreiras, camarada engenheiro – Caros amigos editora, 2009 Setembro 17, 2009

Posted by eliesercesar in Prosa.
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Prestes

UNS HOMENS BARBUDOS

—  A Coluna Prestes assusta a pequena Rio de Contas

Quem são mesmo esses homens barbudos, cabeludos e sujos, com cara de maus, que chegam como  donos da cidade, do destino, da vida e da morte das pessoas simples? Forasteiros de passagem? Bandidos perigosos?   Vão logo embora, sem deixar rastro ou saudades, como os ciganos? Que querem, esses estranhos, na cidadezinha pacata? Dinheiro? Judiar dos pobres e dos bichos? Levar toda a comida e o rebanho? Tocar fogo nas casas? Pior se resolverem  raptar as mulheres, deixando os homens sem esposas, os pais sem filhas e os filhos sem mãe… Não podem ser de paz, se chegam fortemente armados e prontos para a guerra.

Muitos pensamentos ruins confundiram a cabeça  dos moradores do lugar (pouco mais de 800), quando, depois de palmilhar centenas de municípios brasileiros, enfrentando as forças legalistas, os jagunços dos coronéis e as volantes sertanejas, os homens  da Coluna Prestes, sedentos e esfomeados,  entraram na pequena  Rio de Contas, na Chapada Diamantina.