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CETICISMO POLÍTICO outubro 1, 2010

Posted by eliesercesar in Artigos.
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Para Bertrand Russel, sempre se deve duvidar dos políticos.

Com humanismo visceral, lucidez cartesiana e ceticismo radical, o filósofo britânico Bertrand Russel (1872-1970) foi uma espécie de iluminista do Século XX, por combater o obscurantismo de seu tempo. Sua doutrina era o ceticismo. “Não é desejável acreditar em uma proposição quando não existe nenhum fundamento para supô-la verdadeira”, dizia o pensador. Na defesa do ceticismo como um valor moral, Russel advogava que “nunca sabemos o suficiente para estarmos certos se um curso de uma ação é mais sábio que o outro”. Daí, a cautela em relação todo tipo de ação açodada e voluntariosa.

Russel tinha ojeriza às opiniões passionais, corriqueiras em política e religião. Para ele, “a paixão é a medida da falta de convicção racional de seu defensor”. Cético, inclusive , em relação ao próprio ceticismo – para não cair no gesso do dogmatismo – ele pregava o ceticismo político.

À véspera das eleições de domingo, o ceticismo político, exercido com lucidez, pode ajudar o eleitor a evitar as mirabolantes promessas eleitoreiras e a comprar gato lebre (um Tiririca por um Protógenes Queiroz). Porém, a ilusão – sonho imediatista de uma vida melhor – e o ilusionismo (promessas inexequíveis de campanha) fazem parte do cardápio eleitoral. Por isso, o pensador britânico dizia que boa parte das pessoas acreditam que todos males dos quais padecem “poderiam ser curados se determinado partido político estivesse no poder”.

E acrescenta: “Um homem vota em um partido e permanece infeliz; ele conclui que era outro partido que traria o período de felicidade e prosperidade. No momento em que tivesse desencantado com todos os partidos, já seria um homem idoso, à beira da morte. Seus filhos trariam a mesma crença de sua juventude e a oscilação continua”.

Russel não prega a descrença na democracia, no sufrágio universal, o voto nulo ou coisa que o valha, mas a desconfiança em promessas messiânicas e redentoras tão gosto dos partidos, independentemente de matizes ideológicos.

(Artigo publicado na página de opinião do jornal A Tarde, de 1º de setembro de 2010)

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