NATAL novembro 23, 2011
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O que o menino mais queria era tirar uma fotografia no colo de Papai Noel, como seus amiguinhos haviam tirado e lhe mostrado o retrato, na escola. Como coraçãozinho aos pulos, chegou, pelas mãos do pai, ao Shopping Center, feericamente decorado para vender roupas, calçados, cosméticos, perfumes e toda variedade de presentes, a depender do gosto e do poder aquisitivo do consumidor. Queria ver Papai Noel. Queria ver logo o bom velhinho, com aquela barba branca e enorme (algodão doce?) sua roupa vermelha e um enorme saco – o que teria dentro? – também vermelho e o rosto sorridente e bonachão do melhor dos tios.
Viu-o primeiro do que o pai.
- Olha, papai, estão prendendo Papai Noel!
De fato, sem dois dentes na boca a escorrer sangue e com um grande hematoma na testa, atônito e algemado, o bom velhinho era empurrado por seguranças do shopping até uma viatura policial, onde o preso foi depositado como um presente inútil. O carro da polícia partiu a toda velocidade, com a sirene ligada, como se conduzisse um bandido perigoso.
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Só mais tarde, quando a empregada ligou a televisão, o menino soube – por um desses programas jornalísticos de mundo cão – que, na véspera, Papai Noel roubara uma loja e se fartara de encher o seu saco de brinquedos.
Vai ver que pra dar às criancinhas pobres, ainda pensou, o menino.
NAÇÃO novembro 14, 2011
Posted by eliesercesar in Poesia.add a comment
NAÇÃO
I
Festas, flores e perfumes.
Sorrisos, mulheres. beijos,
fotos e alegrias.
Bebida.
Onde a vida?
II
Depois, a morte,
nação comum.
Uma estreia sensível – Em Barroca, Mariana Paiva se mostra orvalhada de lirismo novembro 7, 2011
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O livro de estreia, sobretudo de um escritor iniciante, é como um cartão de visita que anuncia a obra do presente, mas demonstra as potencialidades do artista para trabalhos vindouros. Por isso, mesmo, deve ser lido não só com o olhar rigorosamente atual, como requer a leitura dos jornais, mas também projetando as possibilidades que, nas entrelinhas, permitem se entrever o talento em formação, a busca pelo timbre próprio, a procura da marca pessoal; enfim, a conquista do estilo autoral. (mais…)
POEMA SEM DATA, SEM NOME novembro 2, 2011
Posted by eliesercesar in Poesia.2 comments
Compeender é cantar o homem submerso
no peito;
não o outro que grita junto dele e acusa e fere e
dói
e cega-nos com águas límpidas e fere,
fere, fere e fere.
É refazer a ferida
no lugar mais nvulnerável de nós mesmos;
esquecer (na gaveta) a lanterna,
inimiga da lama nos sapatos.
Compreender é cantar a melodia viva da morte,
não da sorte
(a sorte é uma canção que não se ouve,
insinua-se
e é bela, é alta, une distâncias, separa abraços).
É percorrer os caminhos onde nos buscamos
- imagens de um sonho apedrejado –
e nunca estaremos
(como em nós mesmos,
onde nunca estamos,
mesmo quando estamos sempre).
(Poema publicado no Nº 15 da revista Hera, em 1985)



