Revista Hera – Rainha da poesia encontra seu palácio, em celebração histórica. dezembro 10, 2011
Posted by eliesercesar in Reportagem.trackback
Texto: Elieser Cesar
Fotos: Fabrício Ramos
Quatro décadas depois, a rainha das revistas literárias da Bahia, afinal encontrou o seu palácio. Com pompa palaciana e a majestade etérea da poesia, o volume com todos os 20 números da Revista Hera foi lançado, na noite de 6 de dezembro, no Palácio da Aclamação, em Salvador. Foi acima de tudo, uma aclamação da vida longa da Hera, de 1972 a 2005. Para, uma soberana real, um pouco mais que balzquiana. Para uma revista de poesia uma coroa entre espinhos.
Idealizada pelo poeta Antonio Brasileiro, criador das Edições Cordel, e mantida também pela perserverança de Roberval Pereyr, Wasgington Queiroz, Juraci Dória, Rubens Alves Pereira e tantos outros, a Hera reuniu mais de uma geração de poetas, sempre se renovando, mas mantendo a chama primordial do poema e o fogo emblemático das artes. Dela participaram também nomes como Wilson Pereira de Jesus, Cremildo Souza, Trazímbulo Henrique Pardo Casas, Iderval Miranda, Luís Pimentel, Juraciara Lima, Nanja, Anne Cerqwueira, Uaçai Lopes, Cristóvam Aguiar, Raymundo Luiz Lopes, Luiz Valverde , Antonio Gabriel, Elieser Cesar e Assis Freitas Filho.
A lista é grande, como grande a missão da poesia. Por isso, ficaremos por aqui. Como a pequena planta que lhe empresta nome e que, sob um muro duro, resiste ao sol e à chuva, a Hera também enfrentou a dureza das intempéries de um mundo infenso à poesia e à arte, pois, propenso à matéria reciclável da mediocridade. E foi graças ao um milagre, talvez ao mais autèntico milagre, pois não depende de deuses, nem de santos, mas de homens que construíram, no coração, catedrais imensas, como diria Augusto dos Anjos: o milagre, sempre renovado, da poesia; sortilégio inefável de uma flor que rompe a náusea, o tédio e o asfalto.
Neste espaço, não faremos uma apreciação crítica da revista, em toda a sua trajetória; dos poetas que vingaram, daqueles que ficaram pelo caminho, mas deram a melhor contribuição que podiam dar; a de acreditar na poesia; mesmo descrendo de seu lugar no mundo moderno. Fica para outra oportunidade ou para alunos e professores de literatura, a análise mais criteriosa e judiciosa da revista.
Reconhecimento tardio, mas, mesmo assim, instante de consagração

Na mesa: Juraci Dórea, Antonio Brasileiro (de chapéu), Albino Rubim, Roberval Pereyr e Washington Queiroz.
Na solenidade de lançamento da revista, Antonio Brasileiro destacou o reconhecimento tardio da Hera, definiu o evento como um instante de consagração final de um trabalho, um dos mais importantes de sua vida, como fez questão de frisar, e reconheceu, mesmo sabendo que o poema é barco sem porto: “Nós chegamos a um lugar, à uma posição. Temos hitsória”. Já Washington Queiroz lembrou que mais de uma centena de pessoas passaram pela revista, a exemplo de convidados, como Ruy Espinheira Filho, Maria da Conceição Paranhos, Cid Seixas, Evandro Barreto e Damário da Cruz. Roberval Pereyr salientou o orgulho de também ter dirigido um trabalho de criação artística dos mais importantes do Brasil. O secretário estadual de Cultuta, Albino Rubim, considerou a Hera “uma raridade de revista literária, muito mais de poesia”, numa referência à longevidade da publicação num país em que a maioria as publicações do gênero dura muito pouco ou um breve suspiro.
A edição histórica da Hera resultou de uma parceria entre a Editora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Fundação Pedro Calmon (FPC), órgão da Sceretaria Estadual de Cultura. “Foi uma obrigação reconhecer a Hera, pela sua qualidade estética e a importância para a cultura baiana”, sublinhou Albino Rubim.
A emoção de Drummond

Encontro de velhos amigos. da esquerda para a direita: Elieser Cesar, Washington Queiroz, Roberval Pereyr, Luís Valverde, Antonio Gabriel, Cremilso Souza, Nanja, Raymundo Luiz Lopes, Zilmérico Ribeiro, Juraci Dória e Antonio Brasileiro.
Porém, o maior reconhecimento simbólico do trabalho do Grupo Hera, partiu do poeta Carlos Drummond de Andrade, homenageado no nº 14 da revista pela passagem de seus 80 anos. Comovido, o poeta de Rosa do povo, agradeceu em carta enviada a Antonio Brasileiro:
Que coisa comovedora, o número especial de Hera assinado por todos os colaboradores, em honra de um poeta que completou 80 anos! Senti fisicamente a solidariedade, o carinho, o espírito fraternal dos companheiros mais moços, em torno de mim. E isto me fez feliz. Agradeço a vocês todos com o que melhor possa haver em meu coração.
Como no verso de Drummond, os poetas de Hera, hoje, podem dizer, como bons mercadores de um produto sem mercado:
Fizemos as contas, estamos alegres.
Pois, o mesmo Drummond sabia, como o sabem os poeta de Hera:
Antes de mim outros poetas,
Depois de mim outros e outros.

Belo texto, belo registro, Elieser. Parabéns.
Abraço amigo do
Valdomiro
Que maravilha, Elieser. Tenho a honra de conhecer você e mais alguns integrantres da Hera. Ontem, Roberval me deu de presente um exemplar da edição fac-similar da revista. Ainda estou aqui lendo, com enorme prazer. E que homenagem linda a Drummond! Abraços.
Meu caro Elieser,
Parabéns por esse registro sensível sobre o lançamento da Hera reunida, uma das mais importantes revistas literárias brasileiras.
Abraço do amigo
Carlos Machado
São Paulo, SP
Hera uma vez e tantas histórias, abraço desse companheiro de longas datas.