Dê um lápis ao menino. abril 21, 2010
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Pouca gente sabe, mais o poeta baiano Firmino Rocha (1910-1971) tem um poema gravado em placa de bronze na sede da ONU em Nova York. Ele escreveu este poema, talvez, o mais pacifista da Língua Portuguesa. Melhor do que pés de trogloditas na calçada da fama. Leiam.
DERAM UM FUZIL AO MENINO
Adeus luares de Maio
Adeus tranças de Maria
Nunca mais a inocência
Nunca mais a alegria
Nunca mais a grande música
No coração do menino
Agora é o tambor da morte
Rufando nos campos negros
Agora são os pés violentos
Ferindo a terra bendita.
A cantiga, onde ficou cantiga?
No caderno de números
O verso ficou sozinho
Adeus ribeirinhos dourados
Adeus estrelas tangíveis
Adeus tudo que é de Deus
Deram um fuzil ao menino
Adeus tranças de Maria
Nunca mais a inocência
Nunca mais a alegria
Nunca mais a grande música
No coração do menino
Agora é o tambor da morte
Rufando nos campos negros
Agora são os pés violentos
Ferindo a terra bendita.
A cantiga, onde ficou cantiga?
No caderno de números
O verso ficou sozinho
Adeus ribeirinhos dourados
Adeus estrelas tangíveis
Adeus tudo que é de Deus
Deram um fuzil ao menino
Verso & Prosa abril 15, 2010
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Maria Cecília em pleno ritmo. Foto: Andréia Borges.
- “ Tudo é ritmo na infância, tudo é riso…”
(Infância, Paulo Mendes Campos)
