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Rádio Jabá FM – Uma Comédia Baiana maio 13, 2009

Posted by eliesercesar in Prosa.
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 RÁDIO JABÁ FM

PROGRAMA 4

 

 programa 4

Ilustração : AFOBA         

–         Uma comédia baiana 

 

 Personagens

 

Locutor

Camila Melo – repórter

Florisbela de Paulo – repórter

Toinho Zoião – eletricista

Albertinho Lisura – deputado federal

Edilberto Grill – músico

Delícia Faber – promoter

Texugo Chaves – Chefe de Estado latino-americano

Gilda Funk – sexóloga

Walmir Xícara – político

Dona Mamãe – eterna candidato a um cargo eletivo

Barack Obama – candidato a vereador

Escrachete do Brasil – vereador e dançarino

Gelcimar Toucinho – médico e cientista

 

 

PROGRAMA 4

 

 O cenário é um estúdio de rádio.  O locutor está ao microfone. Ouve-se a vinheta, numa voz feminina, com a mesma modulação dos anúncios de aeroporto: Jabá FM, a rádio que não se vende.

 

Locutor (com a voz empostada): Alô clientes… Perdoem, quero dizer ouvintes da Jabá FM, a rádio que não se vende. Esta emissora está indignada e estarrecida com a monstruosidade praticada contra menina Isabella Oliveira Nardoni. Confiante no bom trabalho das investigações policiais e no zelo da justiça, a Jabá não quer fazer nenhum pré-julgamento, mas como é uma rádio que toca, mas não come reggae de ninguém, é obrigada a concordar com a manchete de uma revista semanal: foram eles; foram eles, sim. . É como diz o escritor Elizeu Tzar: a humanidade faliu!

(Com fingida indignação): Haja notícias ruins. Na Áustria, um pai manteve a filha presa, durante 24 anos, num porão e teve sete filhos com ela. Só capando, o safado. 

Até Ronaldo, o Fenômeno, pisou na bola. Ou melhor: viu mais  bolas do que desejava ver.. Quis dançar o créu com um traveco e terminou fazendo gol contra. Ò homem azarado! Não dá sorte com mulher, nem com falsa mulher.

(Colocando o som na caixa): Mas, agora, vamos falar de coisas boas. Atenção, que esta música vai bombar. Com vocês “Tome Ferro”, do mais novo talento da música baiana, Joãozinho Mecânico!!!

 

Na siderúrgica, o peão só fala ao berro.

E tome ferro! Tome ferro! Tome ferro.

Na oficina, o mecânico trabalho com o ferro.

E tome ferro! Tome ferro! Tome ferro!

A porta emperrou?

Compre a dobradiça que eu desemperro.

E tome ferro! Tome ferro! Tome ferro.

Pra bater a laje, pegue o vergalhão,

e deixa que  eu enterro.

E tome ferro! Tome ferro! Tome ferro!

Na serralheria, deixa que o metal eu serro.

E tome ferro! Tome ferro! Tome ferro!

No trabalho, só faço o certo e jamais erro.

E tome ferro! Tome ferro, tome ferro.

E, agora, esta música, eu encerro.

E tome ferro!. Tome ferro! Tome ferro!

Tome-lhe ferro…

 

(Com a voz empostada): Beeeleeezzaaaa, de Creuza do Sinjorba. “Tome ferro”, do fenomenal Joãozinho Mecânico. Poesia e ritmo da mais alta qualidade. Sucesso garantido para a temporada.

(Com a voz menos empostada): Agora, ouvintes da Jabá FM, a rádio que não se vende, traz uma entrevista para quem gosta de sexo, para quem gosta de pouco sexo e para quem é tarado em sexo. A Jabá faz uma mesa-redonda com uma mulher que sabe tudo sobre sexo: a incomparável Gilda Funk.

(Entra Gilda Funk, uma senhora muito magra, branca e quase idosa).

Locutor: Para a entrevista convidamos também a jornalista Florisbela de Paulo e Camila Melo, aqui da sua Jabá.

(Entram Florisbela de Paulo, branca, com os cabelos pretos e batendo no meio das costas; e Camila Melo; morena, robusta, com cabelos crespos e curtos). 

Locutor (irreverente): Bom dia, Dona Gilda; tudo em cima?

Gilda Funk (com a cara fechada): Tudo bem.

Locutor: Dona Gilda é normal ser gay?

Gilda Funk: Olha, meu filho, cada uma dá o que tem.

Locutor: Então, é dando que se recebe, Dona Gilda?

Gilda Funk: Se você dá, você recebe…

Locutor (gesticulando os braços ): Lá ele! Lá ele, Dona Gilda!

Locutor: Mas voltando a pergunta, Dona Gilda Funk, boiolagem é doença?

Gilda Funk: Doença é não tentar ser feliz, meu filho.

Locutor: Mas, do ponde vista, da medicina….

Gilda Funk (em tom professoral): Antigamente,  o homossexualismo era encarado como doença, passível de tratamento. Hoje, com a evolução dos costumes, ele é visto como uma escolha, uma opção sexual, que diz respeito apenas a quem a exerce.

Florisbela de Paulo: Dona Gilda…

Gilda Funk: Diga, Florisbela de Paulo.

Florisbela de Paulo (em tom farsesco): Um amigo meu fez uma experiência bizarra, quando a mulher dele viajou. Ele comprou uma porquinha inflável, dessas bem rechonchudinha, toda voluptuosa mesmo e, segundo ele, até carinhosa…

Gilda Funk (espantada): Carinhosa?!

Florisbela de Paulo (mantendo o tom burlesco): Foi o que ele me disse.  Pois bem, ele aproveitou a ausência da mulher e levou a porquinha para a cama. Fez amor com ela, terminou se apaixonando pela porquinha e até pediu  divórcio mulher. Isso é certo, Dona Gilda?

Gilda Funk (Chocada): Misericórdia! Esse homem levou a perversão ao paroxismo. Ele precisa de tratamento urgente. Tem que ser logo internado. Não tem cabimento. Mas quem já viu um negócio desses? Uma porquinha….

Florisbela de Paulo (implacável): Rechonchudinha, inflável e até carinhosa, Dona  Gilda.

Gilda Funk (a ponto de ter uma síncope): E me interessa lá se a tal porquinha era rechonchudinha , inflável e até carinhosa.. (Indignada): Esse homem é um pervertido, um depravado, um débil mental. Precisa de ajuda. Homem foi feito para mulher, não para práticas bestiais.

Camila Melo (inexorável): Dona Gilda e se não fosse uma porquinha, rechonchudinha, inflável e até carinhosa, mas os três porquinhos da história, estaria configurado um caso de pedofilia ou, dizendo melhor: porcofilia?

Gilda Funk (agastada): Olha, vamos passar adiante. Estou tão indignada que não quero falar de porco nenhum.

Camila Melo: Nem dos Palmeiras, Dona Gilda?

 Gilda Funk (taxativa): Eu só Corinthians.

Locutor: Agora, vamos passar as perguntas dos ouvintes.

Florisbela de Paulo: Dona Gilda, Rozendo Dias, morador de  Luiz Anselmo, diz que transou de pinto mole, mas que mesmo assim conseguiu ejacular. Agora, ele quer saber se corre o risco de ser papai.

Gilda Funk: Como ele conseguiu só Deus sabe. Aliás, o Diabo, porque Deus não se mete nessas coisas. Mas, se ejaculou e a mulher está no período fértil, é claro, que pode vim a se tornar papai.

Locutor:Papai Brochão, né Dona Gilda?

Gilda Funk: É. Papai Brochão! Mas, este pode ser um caso de disfunção erétil e o problema   resolvido com o tratamento adequado.

Camila Melo: Dona Gilda, Adenildes Sacramento, da Federação,  conta que o namorado dela a obrigou a simular uma transa com outra mulher, porque somente assim ele conseguiria se excitar. Ela diz que gosta muito dele, mas que não vai tornar a se submeter a este tipo de descaração e pergunta: o que fazer?

Gilda Funk (imperativa):Ò, minha filha, manda esse homem embora, mete o pé na bunda  dele; ele não tem ama, ele só pensa nele.

Locutor: Peraí, Dona Gilda! Isso é música e, esta rádio, apesar do nome, não tolera (Pausa):  mechan..mechan..mechan, o quê?

Camila Melo: Merchandising..

Locutor:Isso mesmo, meixadainzingue, obrigado Camila Melo.

Locutor: Agora, para encerrar, Florisbela de Paulo pergunta.

Florisbela de Paulo:  Dona Gilda, eu vi uma médica falar que a maior zona erógena do ser humano é o cérebro. Então, isso significa que fazer cafuné dá tesão?

Gilda Funk (Enfadada): Olha minha filha, depende do lugar e da intensidade do cafuné.

Locutor: Dona Gilda, a Jabá FM, a rádio que não se vende, agradece a sua participação no programa. Obrigado, Dona Gilda, a senhora mete bronca! Agradecemos também a presença das jornalistas Florisbela de Paulo e Camila Melo. (Em tom mais baixo): Aliás, Dona Gilda! Espere um pouco. A senhora teria uma amostra grátis de Pramil para o nosso Toinho Zóião, que não pode ver um rabo de saia passando ali, na passarela da Estação Iguatemi?

Gilda Funk (peremptória): Tenho não, meu filho. Zoião vai ter que usar a imaginação.

 

Locutor (em tom de ameaça): E atenção, deputado Albertinho Lisura, pague o que o senhor deve a esta rádio. Pague, Lisura, ou a Jabá vai dizer o vossa excelência distribuía dentadura. (Com voz empostada): Amigos ouvintes, no próximo programa, vamos estar sorteando…

Camila Melo (baixinho): Olhe o gerúndio!

Locutor: Quem, Camila?  Pafúndio?

Camila Melo (discreta): Você deve dizer: vamos sortear.

Locutor: Pois bem. No próximo programa vamos sortear dez pata-pata para aqueles que acertarem de quem é a música “Lasca Madeira”, sucesso de público e de crítica lançado, aqui, pela sua Jabá FM. (Colocando o som na caixa): E, a pedido da estagiária Maristela Azeredo, daqui da Jabá FM, fiquem novamente a música “Tome Ferro”, do versátil Joãozinho Mecânico.

 

Na siderúrgica, o peão só fala ao berro.

E tome ferro! Tome ferro! Tome ferro!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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