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Rádio Jabá FM – Uma Comédia Baiana junho 1, 2009

Posted by eliesercesar in Prosa.
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Rádio Jabá FM

PROGRAMA 5

 Charge_de_Waldir


 O cenário é um estúdio de rádio.   O locutor está ao microfone. Ouve-se a vinheta, numa voz feminina, com a mesma modulação dos anúncios de aeroporto: Jabá FM, a rádio que não se vende.

 

Locutor (com a voz empostada): Alô clientes, melhor dizendo ouvintes da  Jabá FM a rádio que não se vende. Esta emissora se une à consternação pelo falecimento de duas personalidades que dignificaram e enobreceram a mulher na Bahia: a quituteira Dinha do Acarajé e a escritora Zélia Gattai. Dinha foi armar seu tabuleiro na entrada  do céu e Zélia para as terras do sem fim da eternidade ficar junto do seu menino grapiúna. (Em tom farsesco):  E por falar no tabuleiro da baiana  vocês sabem,  amigos da Jabá, o que  um coveiro disse para o outro, à beira da cova de Dinha do Acarajé? Não sabem? Pois, ele disse: Vatapá.

Florisbela de Paulo  (quase cochichando): Não foi Dinha…

Locutor (bem alto): O quê?

Florisbela de Paulo: Quem morreu não  foi Dinha.

Locutor: Como não se deu na TV e saiu nos jornais.

Florisbela de Paulo: Foi Dadá.

Locutor (surpreso): Ah… (Sem perder a esportiva): Então vida longa para Dinha, que ainda tem muito acarajé para vender.

Florisbela de Paulo (baixinho): Mas, Dinha não é baiana de acarajé.

Locutor: Como não? Então é baiana de abará.

Florisbela de Paulo (aos cochichos): É dona de restaurante.

Locutor: Tá bom. (Com a voz empostada): Amigos da Jabá, desculpem a barrigada. Quem  morreu foi Dadá, rainha  do acarajé, deusa do abará. Dinha tá vivinha da silva xavier, pro que der e vier, comigo….  

(Voz empostada): Já o Presidente Lula anda abusando do linguajar chulo. Outro dia, aqui em Salvador, onde veio fazer comício, ele usou, pela segunda vez a palavra “sacanagem”. Não fica bem para o ocupante  do mais importante  cargo da República Federativa do Brasil ficar repetindo o mesmo vocábulo. Presidente, da próxima vez, use o termo “escrotidão”, dá no mesmo.

 

Na Islândia, um tarado chamado Sigudur Hjar, Haja o que mesmo? Sigudur Hjartason (Jocoso): eh, nomezinho inovocado! (Sério): Pois, esse aí fundou o Museu Falológico Islandês, ou seja um museu de pênis; isso mesmo, pênis. O homem é vidrado em pênis.(Esconjurando): Lá ele, lá Sigudur. (Outra vez, sério): O acervo com 261 pênis de 90 espécies diferentes. O maior, pesando 70 quilos e medindo um metro e setenta centímetros. (Assustado): Misericórdia! (Refeito):  pertenceu à uma baleia cachalote. O menor (tadinho!), pertencente a um hamster, mede apenas dois milímetros e só pode ser visto com o auxílio de uma lente de aumento. É verdade, cada qual coleciona o que gosta.

 

Vocês já repararam, caros ouvintes,  que o senador Heráclito Fortes se parece com Jabba, THE HUT, aquele ET papudo do filme o Retorno de Jedi, que fica  comendo cada bichinho esquisito retirado de um tanque?

 

(Com solenidade): Agora o quadro mais esperado da sua Jabá FM, “essa música vai bombar”. A Jabá traz para vocês o forró  mais tocado no São João de Tapiramutá, “A boiada no currá”, do fabuloso Chiquinho do Triângulo Amoroso. Som na caixa…

 

De manhã cedo, o vaqueiro leva o gado do currá.

Tange a boiada para o pasto

até o boi ficar bem farto.

No fim da tarde, o vaqueiro traz de volta

 boiada pro currá.

 

Temendo uma rês desgarrada,

pra não dar bobeira,

o fazendeiro fecha a porteira

e brada:

Vê se entrou toda,

a boiada no currá,

vê se entrou toda,

a boiada no currá,

vê se entrou toda.

 

Vê se entrou toda,

a boiada no currá,

vê se entrou toda,

a boiada no currá,

vê se entrou toda.

 

Locutor: Beleeeeezzza de Creuza do Sinjorba, o forró de Chiquinho do Triângulo Amoroso. Sensibilidade junina e genuína.

 

(Com a empostada): Agora, é com grande satisfação que a Jabá FM, a rádio que não se vende, convida para os seus estúdios, uma das maiores reservas morais da enxovalhada política brasileira, o grande, fino e educado Walmir Xícara,   um político que não anda com o pires na mão.

(Entra Walmir Xícara, cabelos brancos, olhos apertados, traje esporte fino e esbanjando simpatia).

Locutor: Bom dia, Doutor Walmir…

Walmir Xícara (com a voz macia de padre carismático): Bom dia companheiros da Jabá FM. É um enorme prazer estar de volta à Bahia. (Apertando os olhos miúdos):  A Bahia das grandes lutas libertárias, a Bahia da Revolução dos Malês, a Bahia do Dois de Julho, a Bahia de Castro Alves…

Locutor: Doutor Walmir Xícara….

Walmir Xícara (sempre fechando os olhinhos): A Bahia de Rui Barbosa, a Bahia de Octávio Mangabeira, a Bahia de Anísio Teixeira…

Locutor: Doutor Walmir…

Walmir Xícara: A Bahia de Jorge Amado, a Bahia de Zélia Gattai

Locutor: Epa! Mas ela era paulista.

Walmir Xícara: : Não importa foi baiana na sua obra e no seu coração. A Bahia de Ana Nery, a Bahia de Maria Quitéria, a Bahia de Irmã Dulce e de tantas valorosas mulheres…

Locutor (impaciente): Chega, Doutor Walmir Xícara, se não o senhor vai mencionar toda a lista telefônica.

Walmir Xícara: A Bahia de Rômulo Almeida…

Locutor (ainda mais impaciente): Tá bom, Doutor Walmir Xícara, diga logo a Bahia de todos os baianos e pronto.

Walmir Xícara (empolgado): A Bahia de todos os baianos que  lutaram pela honra e pela dignidade de seu povo, um povo que não se curva, nem transige diante do arbítrio, da brutalidade e da malvadeza

Locutor: Da malvadeza? De Toninho Malvadeza?

Walmir Xícara: Este deixa que a história saberá se encarregar de seu triste legado.

Locutor: Doutor Walmir Xícara, o senhor apóia a ditadura?  

Walmir Xícara (perplexo): Como?Não entendi?

Locutor: O senhor apóia a ditadura?

Walmir Xícara (em tom veemente): Claro que não. (Professoral):  A ditadura representa a supressão de todas as liberdades públicas, de todas as salvaguardas do regime democrático. De maneira que jamais poderia apoiar qualquer tipo de ditadura, eu que sofri diretamente as conseqüências do golpe militar, que fui um dos últimos a deixar o país, quando os generais derrubaram o Presidente João Goulart, um homem de extraordinária visão política e de dedicação integral ao seu povo…

Locutor): Então Doutor Walmir, porque o senhor aceitou ser o Controlador Geral da União, queria controlar o Brasil sozinho, foi isso?

Waldir Xícara (sem esconder um risinho sardônico): Ah, é isso? A Controladoria-Geral da União,  que tive muito orgulho de dirigir e, agora, sob o comando de outro baiano ilustre, o nosso Jorge Hage, é um instrumento fundamental no combate à corrupção, essa chaga moral que, infelizmente, ainda infesta muitos setores da sociedade e da classe política brasileira. Ela é uma eficaz ferramenta de fiscalização da correta aplicação dos recursos públicos. Através da Corregedoria investigamos os gastos de muitas Prefeituras, sem nenhum tipo de opção partidária, tanto que a escolha se dá pela forma de sorteio, sem nenhum tipo de manipulação. Tudo para fortalecer as instituições do país, evitando o desperdício, o desvio  e a apropriação indébita do dinheiro público. (Exortativo): Temos que dar um combate permanente e sem tréguas à corrupção para que o Brasil possa dar o tão esperado salto de desenvolvimento e de qualidade de vida. 

Locutor: Doutor Walmir, o senhor sofre de ardência nas vistas? Só fica falando e fechando os zoinho. Quer um colírio? (Com a voz  grave de propagandista): Moura Brasil, melhor nunca se viu. (Em tom de deboche): Não quer não? Pois fique aí, fechando os zoinhos. (Sério): Mas Doutor Walmir, porque o senhor renunciou e deixou Milho Boi em seu lugar?

Walmir Xícara (após breve reflexão): Foi uma decisão muito difícil aquela, a mais difícil de minha vida política. Refleti muito com os companheiros de partido e aqueles dos partidos que me apoiaram, Mas, naquele momento, percebi que  poderia servir melhor a  Bahia e o Brasil no plano federal. Afinal, acabávamos de sair de uma ditadura e precisávamos reconstruir  o Brasil democrático, com a participação de todos e no interesse de todos.

Locutor: Quais sãos os seus planos na política, Doutor Walmir?

Walmir Xícara (com suave timbre eclesiástico): Continuar servindo ao povo da Bahia e ao povo brasileiro, levando sempre a mensagem que não devemos esmorecer na construção desse grande país e desta grande nação.

Locutor: Obrigado Doutor Walmir. (Em tom cauteloso): Vamos encerrar por aqui, porque se não acabo votando no senhor outra vez. Muito obrigado. Entrevistar esse homem, digno, culto e educado  não é moleza. (Descontraído): Atenção, galera. Só duas pessoas acertaram a pergunta feita no programa passado: qual o autor do mega-sucesso “Lasca Madeira”. Zenildo Brito, da Massaranbuda e Roque Portela, do Engenho Velho de Brotas acertaram: Sandrinho Dengoso. Cada um vai ganhar cinco pata-pata.  No próximo programa vamos sortear uma TV a cabo (a cabo de vassoura, para consertar a antena) para quem acertar a pergunta: a quem Sepúlveda Pertence? Uma última notícia:

 

Alerta ao TRE

Na campanha eleitoral de 2006,  deputado Albertinho Lisura distribuiu dentaduras – a inferior antes e a superior depois da comprovação dos votos – para eleitores do Bairro da Paz e do Calabetão. (Irritado): Deputado, quem avisa, amigo é: pague o que vossa excrescência deve à Jabá FM ou voltaremos com mais detalhes na próxima edição. 

(Colocando o som na caixa): E para terminar o programa fiquem mais uma vez com o poema junino de Chiquinho do Triângulo Amoroso, o forró “Vê se entrou toda”, quero dizer: “A boiada no currá”.

 

De manhã cedo, o vaqueiro leva o gado do currá….

 

 

 

 

 

 

 

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