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Canção da (in)justiça fevereiro 25, 2010

Posted by eliesercesar in Artigos.
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Uma desembargadora é rebaixa, suspeita de movimentar uma fortuna, em quatro anos. Um desembargador é aposentado, compulsoriamente, por venda de sentença; outras duas juízas respondem pelo mesmo crime; um magistrado apela para o famigerado “jeitinho brasileiro” dá uma “roubadinha” no trânsito e acaba matando atropelado um empresário que pilotava uma motocicleta;  no interior do Estado, outro juiz responde por assédio sexual; uma compra nababesca de tapete persa pela corte suprema do Estado é sustada depois que a imprensa veicula a transação; cerca de dois mil processos são encontrados no porão de um juizado, jogados para debaixo do tapete (este comum), para esconder da sociedade a morosidade da Justiça. Em todo o Brasil há 117 magistrados respondendo a Processos Administrativos Disciplinares, segundo o ministro Gilson Dipp, Corregedor  Nacional de Justiça, do Conselho Nacional de Justiça.

Tudo isso, sem falar nos Lalaus de toga (todos lembram do juiz Nicoulau)  que vicejam país à fora. Numa referência ao Tribunal de Justiça da Bahia, para o qual vem dando atenção especial, o mesmo Gilson Dipp pronunciou a grave sentença: “Para ficar ruim tem que melhorar muito”.

Todas essa conspurcação da Justiça, seja pela má administração, pela carência material ou mesmo pela má fé, cristalizada na venda de sentenças, parece expressa, de forma premonitória, nos versos do poeta norte-americano Edgar Lee Masters (1869-1950). Diz o poema: “Vi uma bela mulher com os olhos vendados/Num pedestal, nos degraus de um templo de mármore/ As multidões passavam diante dela/Dirigindo-lhe uma olhar de quem implora./Na mão esquerda ela sustinha uma espada./Ela brandia a espada,/Golpeando ora uma criança, ora um trabalhador,/Ora uma mulher que se esquivava, ora um lunático./Na mão direita ela sustinha uma balança:/Na balança eram jogadas moedas de ouro/Por aqueles que escapavam ao golpe da espada./ Um homem, com um toga preta, leu de um manuscrito:/Ela não respeita as pessoas./Então um jovem que usava boné vermelho/Pulou para o lado dela e arrebatou-lhe a venda./ Ah, as pestanas haviam sido comidas/Das pálpebras lodosas;/os olhos estavam cauterizados por um visgo leitoso:/A loucura de uma alma estertorante/Estava gravada em sua face…/Mas a multidão ficou sabendo por que ela usava a venda”.

Essa autênica canção da (in)justiça, intilulada “Carl Hamblin, está na Antologia da Nova Poesia Norte-americana, publicada pela Civilização Brasileira, com tradução de Jorge Wanderley.

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