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AKIZAR – A palavra mágica. julho 26, 2010

Posted by eliesercesar in Akizar, a palavra mágica..
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Para meus filhos,

Fernando Valverde César, que sempre apostou nesta história,

e a infante Maria Cecília Borges César, que ainda não pode apostar.

SUMÁRIO
1. ANTECEDENTES – De como, em fero combate, nosso herói perdeu um braço e uma orelha, mas mesmo assim conseguiu deter o morticínio perpetrado pelas Estátuas Animadas, dando início aos extraordinários acontecimentos narrados nesta saga.

2. OS CROCODILOS VOADORES – Em que se conta como o Vigilante dos Caminhos Sem Medo, tal Cavaleiro Andante das Galáxias, dizimou feroz esquadrilha de crocodilos mutantes, primeiro obstáculos até às magníficas Torres Submersas.

3. O CICLOPE SERIFAN – Onde se conta a estratégia do nosso herói para vencer o duelo com um gigante caolho, glutão e canibal, que mantinha aprisionada uma provisão de seres humanos e cuja ferocidade inibia o movimento do mar.

4. A MEGERA DA VENTA CAVILOSA– No qual se dá conhecimento de como o Vigilante enfrentou a mulher mais horrenda e perigosa da face da Terra (antes, formosa donzela), livrando os pobres mortais da Maldição da Pesta Negra.

5. A MÚMIA CORREDORA DOS PÂNTANOS – Das artes que o nosso herói empregou, em desigual peleja com uma múmia desgarrada do Egito, velocista e envolta em andrajos, cujo traiçoeiro abraço esfarinhava os ossos.

6. A CHUVA DOS PUNHAIS INVISÍVEIS – Onde se narra como Sir Vigilante dos Caminhos Sem Medo, a caminho do Rio das Águas Venosas e envergando uma armadura medieval, livrou um povoado em pânico de uma chuva de aço, intermitente e mortal.

7. O RIO DAS ÁGUAS VENENOSAS – Aqui se dá conta da forma espetacular como nosso herói, com a ajuda de um poderoso emplastro, sobreviveu aos miasmas das águas apodrecidas e combateu criaturas dantescas, como as Piranhas de Duas Bocas, a Rã Lambedora, o Surubim dos Infernos e os Crustáceos Predadores.

8.. A SERPENTE DA CABEÇA ILUMINADA – Em que se revela como um voraz e gigantesco ofídio se comportou como uma inofensiva minhoca, depois de enfrentar o Vigilante e acabou embrulhado para presente destinado ao Magnânimo Guardião das Torres Submersas.
9. O MAGO REKERK – Em que se revela a incrível transformação do filho de um ferreiro e de uma dona-de-casa em um poderoso feiticeiro, futuro protetor do Vigilante.

10. O ENCONTRO COM O MAGO – Onde se informa como um jovem perdido numa desconhecida montanha e sozinho no mundo se torna, pelos sortilégios de um taumaturgo, a esperança do mundo e, à sua própria revelia, vira o Vigilante dos Caminhos Sem Medo.

11. O BARBANTE ENCANTADO – De como, à maneira do Rei Arthur, sem a força dos brutos, mas com a energia dos puros, nosso herói desentranha da rocha poderosa arma.

12. O CAVALO A JATO – Sobre como, à moda de vaqueiro, o Vigilante captura e cativa um animal mitológico, único exemplar de uma linhagem real, exterminada com os últimos unicórnios.

13. O GUARDIÃO DAS TORRES SUBMERSASNo qual se apresenta as águas profundas de uma avançada civilização, varrida de uma cordilheira pela febre do mar, formada por homens-peixes, banhada em ouro, convivendo em harmonia, e conduzida por um líder sábio e generoso.

14. A CIVILIZAÇÃO DA COCA-COLA EM DRÁGEA – Onde se informa como a marca de famoso refrigerante acabou dando nome à uma era de devastações, causadas por armas nucleares e guerras bacteriológicas, que transformaram o planeta em um monturo calcinado.

15. A ÚLTIMA BATALHA – Onde se chega ao fabuloso desfecho dessa fabulosa saga, depois que o Vigilante, acometido de amnésia e, portanto, esquecido da palavra mágica, duela com um inimigo que julgava liquidado.

1. Antecedentes

De como, em fero combate, nosso herói perdeu um braço e uma orelha, mas mesmo assim conseguiu deter o morticínio perpetrado pelas Estátuas Animadas, dando início aos extraordinários acontecimentos narrados nesta saga.

As estátuas animaram-se repentinamente. Netuno levantou-se de um pinote e arremessou seu tridente no guarda de trânsito que controlava o tráfego na avenida. O guarda tombou no asfalto, com as vísceras expostas e um ônibus, cujos freios falharam, o transformou em um monte de sangue, carne e farda. Coma velocidade instantânea de um relâmpago, Netuno ganhou a avenida e atirou um automóvel na direção de um grupo de pessoas que, na calçada oposta, aguardava o sinal para atravessar a rua. Todos morreram. Cabeças, membros, sacolas, bolsas, cadernos, objetos dos mais variados tipos, ficaram estendidos na calçada, ornamentando tragicamente a avenida. Dois leões de bronze, que também haviam adquirido vida, devoraram uma gestante no jardim (o feto, que lhe escapara das entranhas, foi prontamente deglutido por um terceiro leão, recém-despertado de sua longa letargia). Netuno começou a crescer de tamanho até superar o mais alto edifício da avenida. Com um golpe possante de ombro derrubou um prédio inteiro. Do alto de seu pedestal, o Cacique disse que já estava cansado da inércia secular que lhe fora imposta e avisou que despertava para vingar a raça indígena, extinta definitivamente da face da Terra pela Civilização da Coca-Cola em Drágea. Atirou, em seguida, sua lança no chão, que se abriu em incontáveis crateras, tragando todas as pessoas que se encontravam na avenida. A terra rasgada conservou apenas a mim, o Vigilante dos Caminhos Sem Medo e a Princesa dos Olhos de Cristal, minha escolhida. Não durou muito tempo a nossa paz, pois, de mim, o Cacique exigiu a companheira. Eu disse: não. Ele, com a força do olhar, transformou-me em estátua. Antes de ficar completamente paralisado, consegui pronunciar a palavra mágica: AKIZAR. O feitiço foi quebrado. Procurei, imediatamente, a companheira. Ela havia sumido com o Cacique. Minha raiva tornou-se maior que a de Aquiles; minha fúria, superior a de Hércules. Um tapa foi-me suficiente para decepar a cabeça de Netuno, que voltara ao tamanho normal e se divertia em esquartejar pessoas. Com uma dentada, dilacerei o ventre do primeiro leão vermelho e, em lugar de chumbo e bronze, tive a sensação de deslizar os dentes em algodão. Fiz o mesmo com os outros dois leões. Sequer a Virgem Cega que, após ganhar visão e vida, fornicava, no Jardim de Adônis, com um corpo sem cabeça de gladiador romano, escapou de minha fúria. Com as mãos em gancho, rasguei-lhe a vagina de ferro e alumínio. Ao sentir o braço latejar, percebi que ele fora amputado pela espada do gladiador acéfalo, a quem matei, em seguida, arrancando-lhe os braços e as pernas para deixar, no asfalto, apenas um tórax de gladiador romano. AKIZAR, AKIZAR. Desesperado, gritei a palavra mágica e a namorada assomou no céu, encoberta por uma densa nuvem de enxofre. Seu ventre inchado denunciava que o Cacique já a tinha possuído. Para evitar o alastramento da Maldição das Estátuas Animadas, terei, agora, que matá-la também. Já estava decidido. Não perdi tempo: cuspi fogo e tempestade de ácido que consumiram a companheira, em tão curto espaço de tempo que cronômetro algum inventado até hoje seria capaz de registrá-lo. Finda a batalha, pedirei ao Magnânimo Guardião das Torres Submersas que a ressuscite imaculada. Ele me atenderá, se eu conseguir mergulhar no Rio das Águas Venenosas e capturar a Serpente da Cabeça Iluminada, após livrar-me das Chuvas dos Punhais Invisíveis. Convoquei Adestrus, o cavalo a jato, e parti na trilha do Cacique. Encontrei-o à minha espera, numa nuvem que se solidificara em campo de batalha. “Estava te aguardando, Vigilante dos Caminhos Sem Medo. Um de nós é sobra no mundo. Mataste todos os meus vassalos e deste morte ,também, ao Imperador das Estátuas Ferozes, meu filho, que no útero da Princesa dos Olhos de Cristal esperava a hora de nascer e dominar todo o planeta. Eterno é o ódio que nos domina agora”, disse o Cacique, arremessando o tacape que, em seu vôo mortal, levou-me a orelha esquerda e teria me levado a vida se eu, em raciocínio, tivesse me atrasado um segundo e deixado a cabeça no lugar. Cego de dor, chutei os ovos do Cacique, que continuou a lutar, como se não lhe causassem o menor padecimento os dois culhões amassados. Compreendi que seria impossível sobrepujar o inimigo sem a valiosa ajuda do Barbante Encantado. Desamarrei da cintura o precioso cordão, fiz um laço e gritei a plenos pulmões a palavra mágica e, após enlaçar o Cacique, mandei-o – com a mesma destreza com que se maneja um pião – em alucinantes giros para o centro da Terra, de onde ele jamais poderá retornar. Respirei aliviado; tranquilizei a cidade, em pânico com o massacre perpetrado pelas estátuas e preparei-me para enfrentar os Crocodilos Voadores, o Ciclope Serifan, a Megera da Venta Cavilosa e a Múmia Corredora dos Pântanos, obstáculos que também me separavam das Torres Submersas, onde reina o Magnânimo Guardião que haverá de me reequipar de um novo braço, de uma nova orelha e ressuscitar a companheira, sem a qual eu jamais poderei comprovar o vatícinio do Mago Rekerk, deixando na Terra o filho que haverá de reinar com justiça e equidade, o Cavaleiro da Eterna Harmonia.

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Comentários»

1. Zeca Peixoto - julho 28, 2010

Grande aventura! Manda o segundo capítulo, pois agora vou até o fim!


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