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A Múmia Corredora dos Pântanos – Capítulo 5 agosto 22, 2010

Posted by eliesercesar in Akizar, a palavra mágica..
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A MÚMIA CORREDORA DOS PÂNTANOS –   Das artes que o nosso herói empregou, em desigual peleja com uma múmia desgarrada do Egito, velocista e envolta em andrajos, cujo traiçoeiro abraço esfarinhava os ossos.

Ninguém sabia se era mulher ou homem. Pelo porte atlético deveria ser um guerreiro do Egito. Mesmo coberta de ataduras, a Múmia Corredora dos Pântanos conseguia atingir uma velocidade espantosa, como se tivesse um motor no traseiro. Costumava correr pelos pântanos, aproveitando as brumas para confundir quem dela se aproximasse.

Seu abraço esfarinhava ossos. Na região se dizia que era a múmia de um Faraó, há séculos desgarrada naqueles alagadiços. Muitas pessoas duvidavam, achando que se fosse mesmo a múmia de um rei egípcio deveria andar adornada de ouro, brilhantes e outras pedras preciosas, não envolta em andrajos.

Era uma múmia estranha, sempre a correr pelos pântanos, como se o corpo embrulhado em ataduras não lhe dificultasse os movimentos.

Cheguei aos pântanos de manhã cedo. Logo avistei a múmia, em sua corrida ensandecida, para lá e para cá, sem destino; talvez apenas pelo prazer de se deslocar daquele jeito ou pela  obscura missão de correr. Decidi lutar com a Múmia Corredora dos Pântanos utilizando a sua própria técnica.

– Sou o Vigilante dos Caminhos Sem Medo, Múmia Corredora. Estou aqui para um duelo – desafiei.

O monte de ataduras me olhou, balançando a cabeça e logo, passada a surpresa, abriu os braços, na tentativa de me dar um abraço mortal. Esquivei-me. A múmia estancou no caminho e ficou quieta, como se admitindo me ouvir.

– Pois bem – prossegui. – Vamos pegar uma corrida pelos pântanos.  Aquele que vencer será o rei desses alagadiços e quem perder terá que ir embora envergonhado.

A Múmia Corredora concordou com a cabeça. Para evitar o abraço fatal mantive certa distância dela. Contei até três e disparamos pelos pântanos. Adestrus pastava, indiferente à competição. A múmia corria como o diabo e já levava uma boa distância sobre mim, mas faltava ainda um bom pedaço para o fim da corrida, de ida e volta.

Corri durante uns quinze minutos até de deparar com a múmia de volta. Foi tudo muito rápido. Traiçoeiro, o adversário chocou-se contra mim, sem me dar tempo de evitar seus tentâculos. Senti o chão me faltar;  os ossos começaram a estalar, o aperto era sufocante. Apelei para a palavra mágica. Akizar!

Todo o meu corpo ficou lambuzado de graxa e com esse truque  pude escorregar, com facilidade, entre os braços da Múmia Corredora e escapulir. “Então é assim, bandida. Tentando me pegar à traição.”, reclamei. Akizar! Eu me senti com a força de dez mil guerreiros e, confiante, avancei para o inimigo, que se virou e começou a correr. Com a ponta do Barbante Encantado fiz um anzol e joguei a corda como um bom vaqueiro. O anzol cravou-se nos andrajos à altura do pescoço da múmia. Girei o Barbante, fazendo o verdugo  enfaixado rodopiar. Como uma grande serpentina todo o pano lodento foi se desprendendo do corpo da múmia.

A Múmia Corredora ficou nua, mas nada pude ver. Era invisível a criatura. As gazes levantaram-se sozinhas, foram ganhando altura, enrolando-se e enroscando-se até tomar outra vez a forma da Múmia Corredora dos Pântanos.

Se eu tivesse os dois braços poderia enfrentar a múmia em igualdade de condições, desafiar seu abraço esmagador, mas como estava em desvantagem, coloquei em ação um plano que concebera logo depois de inspecionar minuciosamente o terreno ao redor.

Assobiei para Adestrus me pegar. A múmia permanecia parada. Fustiguei-a com o Barbante Encantado, mas as chicotadas pareciam não incomodá-la. Girei Adestrus, batendo em retirada e a Múmia Corredora nos seguiu com os braços levantados.

Quando cheguei ao lugar desejado, parei de supetão. A múmia correu ainda mais para me pegar e eu soltei as rédeas do Cavalo a Jato, vencendo uma boa distância. A fuga irritou ainda mais meu oponente, que acelerou os passos, já em desenfreada carreira. Eu fazia Adestrus parar e depois avançar, com a criatura em nosso encalço.

No lugar certo, parei novamente, com a múmia a poucos metros de mim. “Venha me pegar”, incentivei. Meu perseguidor deu mais alguns passos, os últimos de sua vida. A múmia começou a afundar no pântano, enquanto eu voava baixo com Adestrus e aos poucos foi sumindo na lama, imundo pano-de-chão. Vi a ponta dos dedos da Múmia Corredora desaparecer nas areias movediças.


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