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A Serpente da Cabeça Iluminada – Capítulo 8 setembro 13, 2010

Posted by eliesercesar in Akizar, a palavra mágica..
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Em que se revela como um voraz e gigantesco ofídio se comportou como uma inofensiva minhoca, depois de enfrentar o Vigilante e acabou embrulhado para presente destinado  ao Magnânimo Guardião das Torres Submersas.

Um ponto luminoso indicava a gruta da Serpente da Cabeça Iluminada. A luz mudava de cor, ora vermelha, azul e em seguida amarela. Aquele insólito pisca-pisca dos pélagos era a serpente. Verifiquei se o Barbante Encantado estava preso à cintura. Adestrus me esperava na margem mais próxima do rio, pastando com a tranquilidade dos cavalos comuns. Assim não precisava fazer o trajeto de volta, pois bastava desafiar apenas uma vez aquelas águas para cumprir minha missão.

Eu nadava com o pensamento na Princesa dos Olhos de Cristal, a quem fui obrigado a destruir e teria que resgatar da morte, a fim de gerar o filho prometido: o Cavaleiro da Eterna Harmonia. Nadava com estes pensamentos, quando percebi a luz, não mais um ponto minúsculo, quase do tamanho de um holofote, vermelha, azul, amarela, vermelha, azul…

Coloquei óculos especiais para não ser ofuscado pelo intenso brilho da serpente. Parei a poucos metros da criatura; seus olhos, dois enormes pratos luminosos. Toda a cabeça da cobra era iluminada, como um prédio soturno banhado por potente luz neon.

A Serpente da Cabeça Iluminada não perdeu tempo e por pouco não acaba com as minhas aventuras com um bote. A tempo de evitar o ataque do  peçonhento animal, mergulhei mais fundo no rio. Bem mais cumprida do que imaginava, enguia gigante e feroz a gingar nas profundezas do rio, a serpente deixou a gruta. Passei a nadar em parafuso, na tentativa de confundir a cobra. Uma rabanada me atingiu de leve, derrubando os meus óculos protetores. Pronto, estava perdido! Bastaria a serpente voltar os olhos para mim e eu ficaria cego para sempre. Então, não teria como escapar da perseguição do bicho. Mas de que me adiantaria viver sem enxergar, se eu não poderia ver a beleza radiante da Princesa dos Olhos de Cristal? Neste caso, melhor deixar a cobra me pegar e acabar, de uma vez por todas, com essa sina de andar por aí, combatendo sem trégua e sem nenhum tempo para parar e refletir sobre a vida e os valores essenciais do mundo.

Pela primeira vez fraquejei em combate; não por covardia, sim pela impossibilidade de viver sem poder ver, com meus próprios olhos, o semblante singelo da minha escolhida.

Pensei no Mago Rekerk e no seu sábio conselho: “o desespero cega o bom guerreiro; procure sempre vigiar o inimigo, com o sangue-frio do combatente que não teme a morte”. Esta reflexão durou um segundo e me salvou do desânimo. Retemperado, achei que a serpente não poderia me fazer nenhum mal. A cobra lançou seus faróis mortais na direção dos meus olhos. Para evitar o jacto de luz, permaneci com a cabeça baixa. A claridade iluminou o rio, a ponto de permitir que se pudesse ver no fundo uma simples piaba.

Akizar! Apelei e o Barbante Encantado virou também uma serpente. Não com a cabeça iluminada, mas sem cabeça alguma. O cordão mágico tentou enlaçar a serpente e afundou, repelido por um safanão da cobra., que voltou-se novamente para mim. O truque do eletricista! Claro! Como não pensei nisso antes ?! Akizar! O Barbante Encantado transformou-se num cabo de aço,  em forma de “U”. Cada uma de suas pontas se enfiou no olhos da serpente. Sobreveio o curto-circuito. A descarga elétrica nocauteou o animal. Bateria descarregada, os olhos da cobra se apagaram. Desmaiada, a serpente boiou, grande e mansa minhoca na superfície do rio.

Adestrus continuava me aguardando, pastando à beira da água. Amarrei a enorme cobra com o Barbante Encantado. Montei o Cavalo a Jato e arrastei a Serpente da Cabeça Iluminada para as Torres Submersas.

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Comentários»

1. Cintia - setembro 18, 2010

Onde eu posso comprar o livro Os Cadernos de Fernando Infante?


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