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O Cavalo a jato – Capítulo 12 outubro 24, 2010

Posted by eliesercesar in Akizar, a palavra mágica..
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Sobre como, à moda de vaqueiro, o Vigilante captura e cativa um animal mitológico, único exemplar de uma linhagem real, exterminada com os últimos unicórnios.

 

Ele pertencia à uma linhagem de cavalos reais, raça muito antiga e exterminada com os últimos unicórnios. Rekerk me contou que, há séculos, existiram milhares de cavalos alados. Muitos abatidos nos céus, em batalhas aéreas travadas entre tribos nômades. Os homens utilizavam esses animais como caças.

 

Outra grande quantidade desses cavalos voadores foi capturada quando os animais pastavam no chão e vendida para países distantes. Em muitos desses lugares, os cavalos foram transformados em burros de carga (depois de terem as asas amarradas para que não voassem) e aproveitados na lavoura. A grande maioria dos cavalos alados foi exterminada em matadouros durante uma grande fome. Com o passar dos séculos, apenas um punhado de Cavalos a Jato sobreviveu. Os anos se passaram e restara apenas um casal. Do cruzamento desses dois remanescentes nasceu Adestrus.

Quando Adestrus era apenas um potro voador, seus pais morreram engolidos por um rio de lavas, no  momento em que pastavam à beira de um vulcão. Adestrus se salvou porque estava se refrescando numa cachoeira distante.

 

O Magnânimo Guardião das Torres Submersas se compadeceu do animal, duplamente órfão, de pais e de espécie, único exemplar vivo de uma raça nobre e resolveu cuidar do Cavalo a Jato em seus domínios. Nas Torres Submersas, Adestrus adquiriu novas habilidades, aguçando todos os sentidos. Uma alimentação à base de ervas medicinais assegurou-lhe uma vida jamais alcançada por qualquer outro animal de sua espécie.

 

Depois de muitos anos, o Magnânimo Guardião liberou o cavalo para continuar o seu aprendizado sozinho e longe das Torres Submersas. Liberou-o justamente para que eu pudesse encontrá-lo, muito tempo depois, numa pradaria poupada da devastação da guerra. O animal pastava tranqüilo com suas grandes asas abertas. Quando me aproximei, se virou com ar feroz, relinchou, arreganhou os dentes, escoiceou o chão, deu meia volta e partiu a galope. Voltou depois, galopando em direção oposta, bateu asas e voou baixo.

 

O Cavalo a Jato estava destinado a mim, garantira o Mago Rekerk e por isso eu teria que capturá-lo de qualquer maneira. Sentei numa pedra e fiquei observando as evoluções do animal. Era mesmo um bicho bonito, voando para lá e para cá, com suas asas grandes. No final da tarde, o cavalo pousou para beber água num riacho próximo. Era tudo o que eu esperava.

Tirei o Barbante Encantado da cintura e evoquei a palavra mágica. Akizar! O cordão enlaçou o pescoço do cavalo. Segurei firme o laço. O animal deu um pinote, equilibrando-se nas pernas traseiras e erguendo as dianteiras. Tentou correr, mas eu aumentei a pressão do Barbante em seu pescoço. Depois de várias tentativas de fuga, o Cavalo a Jato arriou ofegante e eu aproveitei o cansaço dele para colocar a palma da mão em sua crina. Esperava uma mordida ou uma cabeçada, porém para minha surpresa o cavalo recebeu o afago como um filho carente. Retirei o Barbante Encantado do pescoço dele. O animal se levantou dócil e, de um salto, eu montei nele. O cavalo começou a correr na pradaria com a velocidade de um trem-bala. “Agora, voe, cavalinho”, ordenei e o animal vou. Depois mandei que pousasse e ele pousou.

Eu era o dono do cavalo e estava disposto a protegê-lo, até com a própria vida, se necessário, para preservar o sobrevivente de uma espécie que povoou o mundo com sua beleza e agilidade e acabou dizimada pela truculência e a estupidez dos homens. O nome do animal veio rápido. “Serás Adestrus e obedecerás ao Vigilante dos Caminhos Sem Medo, seu dono e protetor”.

 

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