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HARÉM junho 11, 2011

Posted by eliesercesar in Contos.
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Escoltado por quatro eunucos da minha guarda pessoal, abri a grande porta de bronze que dá acesso ao pátio do palácio, onde fica a cálida, aromática e afrodisíaca piscina. Enchi de ar o peito e bradei a plenos pulmões: “Então, minhas gazelas!”.

Claro que havia suspendido a túnica da mais fina seda do Oriente e posto para fora o cetro real. Houve um alvoroço, de final de expectativa, entre as mais de 50 mulheres de várias nacionalidades que, nuas, tomavam banho na piscina, aguardando  minha chegada. Fui saudado com gritinhos e aplausos. Com um gesto de cabeça, para que se retirassem, interrompi a excitação inútil dos eunucos. À beira da piscina, uma orquestra de ninfas despidas dedicava-me um concerto para flauta e alaúde. Tirei a túnica e mergulhei na água morna.

À um gesto magnânimo de seu soberano, as mulheres foram para a borda da piscina. Como de hábito, eu teria que tocar na escolhida, sempre dócil  aos meus desejos. Atravessei duas vezes a piscina, enquanto um rebanho de ninfas ardentes aguardava, ansioso, o meu aceno. À guisa de aperitivo, escolhi (apalpando-lhe firmemente as nádegas movediças), a Princesa Etíope. Durante a furiosa cópula dos gnus selvagens, ela gritava num dialeto incompreensível. Eu estimulava aquela algaravia do gozo, com didáticas palmadas nos glúteos.

Depois da escrava de ébano, fui saciar minha sede entre as alvas pernas da Condessa Nórdica, instaurando mais uma vez, entre as minhas prediletas, a política do café com leite. Como se arrebatada por um prazer animalesco, Ingborg Strong se debatia sob o meu corpo, com a fúria alucinada de um viking. As carnes translúcidas da linda dinamarquesa pulsavam em  convulsão. O prolongado orgasmo a levou ao desmaio. Delicadamente, a deitei numa cama de plumas, enquanto um grupo de mulheres se apressava em reanimar a extenuada bacante.

Voltei à piscina, onde a corte das mais belas mulheres do reino esperava a deferência da minha escolha. Ungi, com a minha preferência, a libanesa Laila Farah, com quem orquestrei a dança do ventre livre. À caribenha Dolores  Soledad de La Cruz y Esperanza, concedi uma salsa caliente.

Por imposição das nádegas, minutos depois, escolhi a Mulata dos Trópicos e com ela pratiquei o estilo de sexo que, na insuspeita opinião de um sábio e libertino conselheiro, “é justo, mas não é certo”. Como rebolavam aqueles planaltos suaves! Que rijeza sustentava os dois corcovados da frente! Num impulso de generosidade, resolvi acolher Maria Inês no disputado séquito das concubinas-mor.

Boiando nas águas termais, considerei que o mistério sempre excita as imaginações mais férteis. Foi justamente este axioma que me levou a escolher, depois da desinibida mulata, a única mulher vestida no pátio: a reservada afegã que, por costume pudico de seu povo, cobria o rosto com um véu e o corpo com uma manta. Despi-lhe os trajes da tradição e percebi em seus olhos, antes submissamente voltados para baixo, a chama inapagável da volúpia. Com Zanzira Jech, palmilhei o sexo das cabras montanhesas. A excitada muçulmana balia um pequeno gemido de cabrita saciada. Esvaziei-me nos grossos lábios — oh, macia e perfumada rosa! — da Guerreira Palestina. À Devota Judia, tributei uma prece profana.

Confiante no potente infalível e Elixir da Virilidade, feito exclusivamente para mim, por um mago do reino, ensejei completar o cio das nacionalidades. Entre as escravas, teria ainda que requestar a peituda americana, a pequena e sinuosa chinesa, a esbelta inglesa, a fogosa italiana, a liberal francesa e a desfrutável esquimó, além de pajelar com a índia brasileira. Sentia-me plenamente disposto a empreender essa doce maratona. Mas, oh, assombro dos assombros! A água azul e cálida da piscina, se transmudou em frio e viscoso sangue. As formosas bacantes eram, agora, um pavoroso cortejo de bruxas hiantes. A deslumbrante beleza das concubinas exumou-se em vermes.  Apavorado com a metamorfose infernal, gritei por minha guarda pessoal, mas ninguém veio me socorrer. Garras em riste, as bruxas me encurralaram num canto da rubra piscina.

Num misto de susto e alívio, acordei no pequeno quarto de estudante pobre. Corri, logo, ao banheiro para me limpar.

(Do livrfo A garota do outdoor)

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