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AVENTURA DO TEMPO E DA MOBILIDADE setembro 19, 2011

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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 A volta ao mundo em 80 dias, faz personagens andar em vários meios de transporte. Se Phileas Fogg, o protagonista da história, tivesse passado por Salvador, encalharia no metrô inacabado.

Imagens do filme de 1956com o ator britânico David Nivem e o mexicano Cantinflas e a direção de Michael Andersen e Kelvin McClory.


Clássico do francês Julio Verne, A volta ao mundo em 80 dias é uma aventura da mobilidade. Nele, os personagens se locomovem de navio, trem, elefante, a trenó, a pé,  trocando incessantemente de meio de transporte numa velocidade impressionante para a época (o romance se passa no ano de 1872). O livro é também um  desafio contra o tempo. Tempo e mobilidade, mobilidade no tempo perpassam toda a aventura.

Resumo do enredo: o impassível e fleumático cavaleiro inglês Phileas Fogg faz uma aposta com um grupo de amigos do Reform Club de Londres. Seria capaz de dar a volta ao mundo em apenas 80 dias (feito inimaginável para época), obedecendo ao seguinte roteiro:

De Londres a Suez  por Monte Cais e Brindisi, ferrovias e navios…………………7 dias

De Suez a Bombaim, ferrovias e navios…………………………………………………….13 dias

De Bombaim a Calcutá, trem…………………………………………………………………….3 dias

De Calcutá a Hong Kong, navio……………………………………………………………….. 13 dias

De Hong Kong a Yokohama (Japão), navio………………………………………………..6 dias

De Yokohama a São Francisco, navio………………………………………………………..22 dias

De São Francisco a Nova York, ferrovia……………………………………………………..7 dias

De Nova York a Londres, navio………………………………………………………………….9 dias

Total…………………………………………………………………………………………………………80 dias

Parece fácil, não? Nem tanto. Para dar esta volta ao mundo em 80 dias era preciso que nenhum trem descarrilasse, nenhum navio naufragasse, os horários de saída e chegada

fossem rigorosamente respeitados e a natureza cooperasse afastando o mau tempo em terra e mar Enfim, que não ocorresse nenhum contratempo.

Philas Fogg aposta 20 mil libras (quantia formidável) que saíra naquele mesmo dia, 2 de outubro às 20:45 e estaria de volta ao Reform Clube em 21 de dezembro. Exatamente às 20:35. Nem um segundo a mais (pois perderia a aposta), nem um segundo a menos, pois quebraria a palavra.  Há, aqui, uma sátira do escritor francês à decantada pontualidade britânica.

Desafio aceito, o excêntrico personagem (um solteirão de passado desconhecido), deixa o local e, sem perder tempo, faz os preparativos para a viagem e caí na estrada, em companhia do fiel criado Passepartourt. Nas malas, apenas uma sacola com duas camisas de lã e três pares de meias, o impermeável (afinal, se trata de um cavaleiro inglês), a manta de viagem e 20 mil libra para as despesas. O desafio movimenta a bolsa de aposta de Londres, com parte dos apostadores jogando suas fichas no aventureiro inglês e parte apostando contra.

Em toda travessia Philas Fogg vai ser perseguido por uma  policial inglês, o agente Fix, sob a suspeita de haver roubado 55 mil libras (soma fabulosa) do Banco da Inglaterra. A descrição do autor do roubo é semelhante ao retrato falado da maior parte dos cavaleiros ingleses, mas, para o agente, pouco importa. Ele está convencido de que Phileas Foggg é mesmo o homem que procura.

Saga da globalização e lição de geografia

Daí em diante a aventura é vertiginosa. Os viajantes toma o navio Mongolia, da Companhia Peninsular Oriental com destino a Brindisi, passando por Suez, no Egito. Para provar que deu mesmo a volta ao mundo, o precavido Fogg passa no consulado da Inglaterra nas Colônias daquele país, como a Índia, para carimbar o passaporte, mesmo sem a necessidade de tal formalidade.

Atravessam o Mar Vermelho e chegam a Bombaim, na Índia, e pegam um trem para Calcutá. Atravessam as províncias independentes do reino de Nizam, dominadas por Faringhea, o Reiodos Estranguladores, assassinos e sectários de Kali, a Deusa da Morte, em honra da qual matava pessoas de todas as idades, sem jamais derramar sangue. A matança era tamanha que não havia, na região, um lugar que se escavasse e não s e encontrasse um cadáver.

Em Kloby, o meio da viagem, o trem para e  os viajantes ficam sabendo que, a partir dali, não havia mais estrada de ferro até Allahabad. O inabalável Phileas Fogg não se incomoda e logo compra um elefante pertencente a um hindu. Aluga um guia e prossegue a viagem no lombo do bicho. No meio do caminho salvam uma bela mulher, viúva de um marajá idoso, que seria sacrificada por uma seita de fanáticos. É, talvez, o trecho mais fantástico do romance.

Depois atravessam o admirável Vale dos Ganges e travam conhecimento com a religão bramanista, encarnada em três divindades: Vishnu, a divindade solar, Shiva, divindade das forças naturais, e Brahma, senhor supremo dos sacerdotes e legisladores. A toda velocidade, o trem passa por Bengala, Golgonda, Gur, Murshidabad, Burdwan, Hooli e Chandernagore, até chegar a Calcutá, onde Fogg,  o criado e bela resgatada dos selvagens, deveriam pegar o paquete até Hong Kong. Todo esse percurso e os que virão pela frente demonstram que o romance de Verne é também uma saga da globalização e uma lição de geografia.

A próxima etapa da viagem, de navio até Hong Kong, passando por Cingapura De Hong Kong, ilhota anexada pela Inglaterra pelo Tratado de nanquim, após a guerra de 1842, os viajantes deveriam tomar o navio Carnatic, para Yokoma, de onde pretendia partir para São Francisco, na Califórnia. Mas a embarcação havia partido na véspera do dia prevista para a saída, porém Fogg não fora avisado pelo criado. Este fora dopado por ópio e embriagado pelo agente Fix, que prentendia retardar a partida do inglêsem Hong Kong, enquanto aguardava um mandato de prisão contra ele.  Fim de viagem? Aposta perdida? Não para o impassível e frio Phileas Fogg. Ele fica sabendo que o navio que vai para os Estados Unidos não  parte de Yokohama, mas de Xangai, depois de uma escala em Nagasaki.Logo, ele aluga o Tankadarère, uma escuna, pequena e charmosa, com uma tripulação de cinco homens.

Faroeste norte-americano

O barco sobrevive a um turfão no Pacífico e aos trancos e barrancos aportaem Xangai. Comoesta é também uma história de mobilidade, aumentamos a velocidade do relato. De Xangai, Fogg e seus parceiros pegam o navio General Grant até São Francisco. De lá atravessam os Estados Unidos no  trem da Pacific Railroad até Nova York. No caminho, o trem é assaltado por índios sioux, numa autêntica história de faroeste. Rechaçado o ataque, à bala, com decisiva participação de Philas Fogg. Os sioux capturam Passepartout (algo com pau para toda obra, em francês) e o destemido Fogg, já à frente de uma destacamento da Cavalaria dos EUA parte no encalço dos índios, como se fosse o o General Custer.

O resgate é feito, mas o trem partira antes. Um único dia de atraso até Nova York, era o fim da linha para o apostador inglês. Ainda, não. Fogg aluga um trenó e o périplo prossegue em meio à neve até a estação de Omaha, de onde todos deveriam pegar o trem até Chicago. De Chicago para Nova York, havia transporte à vontade.Em Nova York, o grupo pegaria o navio China até Liverpool. Mas, quando Foog e seus companheiros chegam na cidade, a embarcação já havia partido há 45 minutos.No cais, o inglês compra a preço de ouro, um navio a vapor que deveria ir até Bordeaux, na França, quando, para o apostador, era preciso chegar a Liverpool. Por isso, Fogg lidera um motim a bordo, prende o capitão e muda o curso da viagem. De Liverpool era preciso chegar a Londres antes da 20:45. Mas em solo inglês, Phileas Fogg é preso. Logo se descobre o verdadeiro ladrão de banco. O cavaleiro é solto, mas havia perdido um dia de viagem.

Viagem pelo tempo garante um dia a menos

Chega em Londres pensando ser domingo. A aposta terminara no sábado. Domingo? Era sábado. Fogg ganhara um dia, pois fizera a volta ao mundo “indo para o leste” e teria perdido este dia se tivesse ido pelo oeste. Desse modo, ele “vira o sol passar oitenta vezes no meridiano, enquanto seus colegas que ficaram em Londres só viram setenta e nove vezes”. Difícil de compreender, mas cientificamente explicável.

Final da história. Exatamente as 20:45 do dia estabelecido e com pontualidade britânica, Phileas Fogg adentra no salão do Reform Club e diz, triunfal:

– Aqui estou senhores!

Ganha a  aposta e o coração da bela senhorita Auda.

Detalhe: se a história transcorresse nos tempos atuais e Phileas Fogg dependesse de pegar o metrô de Salvador – encalhado há 12 anos – teria perdido a aposta. Ou não, já que o intrépido cavaleiro tinha solução para todos os imprevistos. Há uma versão clássica do livro, de 1956, com David Niven, Cantinflas e Shirley MacLaine.

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