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RADIOGRAFIA DO FRACASSO dezembro 5, 2012

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Tentei todos os beijos

E estanquei antes dos lábios.

Toquei a cabeleira

Antes do contato com os cabelos.

Dos oceanos, persegui.

O contemplar distante.

Não acreditei na música,

Quando o hino soou em minha alma.

Ousei cantar

E nada mudou dentro de mim.

Ao redor de mim, nada mudou.

Vem novamente o vendaval que me devasta,

Quando o tempo é de bonança.

Chega-me outra vez o lado podre,

Nascido do que em mim há de mais puro.

Como evitar as armadilhas,

Se a busca só conduz às armadilhas?

Como estar comigo mesmo,

Se o mergulho em mim,

Leva-me ao estranho    que há em mim?

Sou imortal, se tenho alguns minutos.

Faço desse tempo eternidade.

Uma serpente mordeu-me o calcanhar.

O que há? Uma serpente

Mordeu-me o calcanhar.

Só isso.

Vejo (oh, ainda vejo!):

Meus braços são maiores que o oceano.

Acaso tem alguém os braços

Maiores que o oceano?

Que se apresente já e me faça crer

Que alguém possa ter os braços

Maiores que  o oceano.

(Oh, já me perco novamente

Em divagações esdrúxulas!).

Tudo o que quis dizer

Foi anterior á fala.

O que desejei ouvir,

De nenhuma boca escapou.

Meu fantasma me convoca

Ao fantasma de mim mesmo.

 

(Do livro: Os cadernos de Fernando Infante)

 

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