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A FATURA DA COPA DO MUNDO É NOSSA… janeiro 24, 2014

Posted by eliesercesar in Reportagem.
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– Construção de estádios foi financiada com 85% de dinheiro público.

Fonte

Para alguns críticos o empreendimento, um dos mais vultosos do país nas últimas décadas, representa um desperdício fenomenal como um pênalti chutado para a fora, aos 45 minutos do segundo tempo numa decisão de campeonato, quando o jogo se encaminhava para o zero a zero. Para os defensores da iniciativa, trata-se de uma chance única de exibir o Brasil para o mundo inteiro através da vitrine universal do futebol. Além disso, haveria o legado em forma de melhorias na mobilidade urbana, e do sistema de telecomunicações, construção de novos estádios, portos, aeroportos, construção de hotéis, geração de empregos e impulso ao turismo.

No centro da polêmica, como uma bola no círculo central de um campo de futebol prestes a ser chutada para todos os lados, estão os gastos com a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014. Até agora, segundo o Ministério do Esporte (ME), o custo para organizar a competição já atingiu R$ 26,5 bilhões, R$ 2,7 bilhões a mais do que a estimativa de gastos prevista em janeiro de 2011. E tem mais dinheiro para chover na grande área das empreiteiras e da cartolagem do futebol: o mesmo Ministério do Esporte calcula que serão necessários cerca de R$ 33,3 bilhões para custear o Mundial.

Segundo apurou o jornal Folha de São Paulo, dos R$ 26,5 bilhões já investidos, 85,5% serão bancados pelos cofres públicos, 56,6% (R$ 14,9 bilhões) pelo governo federal; 29,1% (R$ 7,7 bilhões) pelos governos estaduais e municipais; e apenas 14,5% (R% 3,8 bilhões) pela iniciativa privada. Portanto, você, brasileiro que torce apaixonadamente pela sua Seleção, estará arcando com a maior parte dos investimentos para a Copa do Mundo, totalizando 51 obras e 327 projetos em 12 cidades-sedes (Salvador, Fortaleza, Recife, Natal, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Cuiabá.

Olha que em 2008, durante o anúncio da escolha do Brasil para sediar o torneio, o então ministro do Esporte, o baiano Orlando Silva se gabava de que “não seria gasto nenhum centavo de dinheiro público” com a construção dos estádios. Na época, o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, fez coro ao ministro e disse que “a Copa seria 100% privada”. Não foi o que aconteceu, pelo menos, com a construção das arenas esportivas, segundo a ONG Contas Abertas.

Em Fortaleza, o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) investiu R$ 351,5 milhões e o governo cearense R$ 194,4 milhões na construção do Castelão. Em Manaus, o BNDES aplicou R$ 400 milhões, a Caixa Econômica Federal (CEF) R$ 110 milhões e o governo da Amazônia R$ 40,7 milhões na construção da Arena Amazônia. Em Natal, a Arena das Dunas demandou R$ 395 milhões do BNDES e R$ 17 milhões do governo potiguar. Em Porto Alegre, a reforma do Beira-Rio exigiu o financiamento de R$ 227 milhões do BNDES.

O banco estatal destinou ainda R$ 276,7 milhões e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) R$ 217,9 milhões para erguer a Arena Pernambuco, em Recife. No Rio de Janeiro, para a reforma do Maracanã, o BNDES entrou com R$ 400 milhões e o governo fluminense com R$ 482,9 milhões. Em Salvador, a Arena Fonte Nova custou R$ 695 milhões (de um valor inicial de R$ 591,7 milhões) com o BNDES aportando R$ 323,6 milhões, o BNB 241,9 milhões, e o governo baiano R$ 123,9 milhões. Como contrapartida ao consórcio responsável pela obra, formado pela Odebrecht e OAS, o Governo da Bahia arcará com R$ 103 milhões, anuais, nos próximos 15 anos.

O Mané Garrincha, em Brasília, a obra mais cara entre todos os estádios (R$ 1,2 bilhão, de um custo inicial de R$ 696 milhões), foi totalmente bancado com dinheiro público, por intermédio da Terracap, agência imobiliária pública do Distrito Federal e da União. Em Cuiabá,a Arena Pantanal, que só deverá ficar pronta em dezembro próximo, está sendo construída com R$ 285 milhões do BNDES, e R$ 233,9 milhões do governo do Mato Grosso. Em Curitiba, o BNDES aportou R$ 123 milhões e a Prefeitura R$ 46 milhões para a Arena da Baixada. O Atlético Paranaense, proprietário do estádio, investiu R$ 18,4 milhões. Em São Paulo, o Corinthians ganhará um estádio de futebol, O Itaquerão, um investimento de R$ 820 milhões, dos quais R$ 400 milhões bancados pelo BNDES, por meio do Banco do Brasil e do Santander, e outros R$ 420 milhões provenientes de incentivos fiscais da Prefeitura.

Todas essas cifras indicam que o discurso de que a Copa do Mundo de 2014 seria “100% privada” (no dizer de Ricardo Teixeira) e que na construção dos estádios não entraria “nenhum centavo de dinheiro público (nas palavras de Orlando Silva) caiu por terra, como um atacante que recebe uma falta desleal na entrada da grande área. Outro problema é a falta de transparência nos gastos, como aponta o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco: “Existe uma enorme quantidade de portais dos

estados e da União, mas muitas vezes estão com informações conflitantes e contraditórias. “A maioria deles está desatualizada”. Parece até uma tática (nada desportiva) de embaralhar informações para confundir.

O professor de Economia do Esporte da Universidade Joahhnes Gutenberg-University, Holger Preuss, que estudou o impacto econômico das duas últimas Copas do Mundo (2006, na Alemanha, e 2010. Na África do Sul) disse à BBC Brasil que, na Alemanha, os recursos públicos financiaram apenas um terço dos 1,5 bilhão de euros gastos com a construção dos estádios. Sede da Copa do Mundo de 2018, a Rússia anunciou que gastará R$ 35 bilhões na preparação do evento, incluindo também obras de infraestrura básica de mobilidade urbana. Mas, a comparação de gastos de um país que sediou o torneio para outro que vai sediar é complicada, segundo o professor Preuss: “Os governos que realizaram ou realizam a Copa nem sempre disponibilizam os gastos e, mesmo que o façam, a prestação de contas não é padronizada, o que dificulta comparações”.

O secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Luís Fernandes, descarta comparações com outras Copas do Mundo. “É preciso ver quais obras foram incluídas nos gastos de outros países. No caso do Brasil, o valor ficou alto porque incluímos obras de infraestrutura e mobilidade urbana que iam ser feitas com ou sem Copa e ficarão como um legado para a população”, afirmou Fernandes também à BBC Brasil. O especialista em Gestão, Marketing e Direito no Esporte, Pedro Trengouse, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também evita paralelos entre os gastos de um país e outro: “Muitas dessas obras só foram catalizadas pela Copa. Não há dúvida de que precisamos de mais aeroportos, por exemplo. Só o Aeroporto de Atlanta, nos EUA, tem mais finger [passarelas móveis usadas para o embarque de passageiros] do que todos os aeroportos do Brasil juntos”.

O Ministério Público Federal também está acompanhando os gastos com a Copa do Mundo. Uma de suas preocupações são os custos de estruturas temporárias, como as barracas em volta dos estádios para centros de credenciamento e recepção, que chegam a dezenas de milhares de reais. Para os MPF a corrupção e a ineficiência podem encarecer boa parte dos projetos.

Vale à pena investir tanto? Romário acha que não.

escudo

Somente para agradar os cartolas das 27 Federações Brasileiras de Futebol e seus convidados serão os gastos R$ 500 mil para a solenidade dos sorteios dos grupos das 32 Seleções que disputarão o Mundial de futebol no Brasil, na paradisíaca Costa do Suípe, como anunciou o secretário-geral da Fifa, Jèrôme Vacle, aquele mesmo que mexeu com os brios das autoridades brasileiras ao falar que o Brasil precisava levar um pontapé na bunda para acelerar a execução das obras para a Copa do Mundo. No futebol moderno é tudo inflacionado como uma goleada acachapante numa partida entre dois times, a começar pelos preços dos ingressos nas belas arenas que, gradativamente, vem afastando o povão – razão e alma do futebol – dos estádios.

Diante de tudo isso, fica a indagação: seria correto o Estado brasileiro, com tantas carências nas áreas de saúde, educação, habitação, transportes e segurança, gastar tanto num mega-evento em que a Federação Internacional de Futebol Associados (Fifa) auferirá a maior parte dos lucros (ver box)? E também a pergunta: o Brasil que foi quatro vezes campeão mundial jogando fora de casa (1958, na Suécia, 1962, no Chile, 1970, no México, 1994, nos Estados Unidos e 2002, na Coréia do Sul e no Japão) precisaria sediar o torneio para ficar mais perto do hexacampeonato mundial de futebol?

O ex-jogador Romário, que agora chuta para todos os lados como deputado federal, distribuiu um vídeo que virou sucesso na internet, em que alega que a Copa de 2014 custará três vezes mais do que as anteriores, números contestados pelo Comitê Gestor, o CGCopa. “A África do Sul teve um gasto de R$ 7,7 bilhões, o Japão de R$ 10,1 bilhões, a Alemanha de R$ 10,7 bilhões e o Brasil já está em R$ 28 bilhões e alguma coisa. Isso, desculpe a expressão, é uma sacanagem com dinheiro público; uma falta de respeito e escrúpulo”, atacou o “baixinho”.

Romário criticou ainda a construção de grandes estádios em lugares que não têm público ou clubes de grandes torcidas para ocupar as arenas depois do evento, como Cuiabá, Brasília, Manaus e Natal. “Vão todos virar elefantes brancos”, prevê, referindo-se à construção de obras monumentais fadadas a definhar e a deteriorar a olhos vistos por falta de ocupação e até de função social. Há ainda um risco de o Governo ter emprestados grandes quantias a construtoras, empreiteiras e concessionárias que realizaram as obras para pagarem os empréstimos num prazo de 30 anos, isso num contexto de crise financeira.

O Governo federal se defende, é claro, alegando a Copa do Mundo representa uma grande oportunidade para realizar obras de infraestrutura urbana e intervenções importantes para à população. Se é assim, pergunta-se, porque não realizou antes? “A Copa do Mundo é oportunidade em políticas estruturais públicas que estimulam o desenvolvimento regional e geral do país. São investimentos que vão atender à vida geral do povo após o evento”, afirma o secretário-geral do ME, Luiz Fernandes.

Pelos cálculos do Governo, a Copa de 2014 deve atrair 500 mil estrangeiros com uma projeção de gastos de cerca de R$ de 3 bilhões no país. Além disso, gerar milhares de postos de trabalho, como em 2006 na Alemanha, que abriu 25 mil novas vagas. No meio de toda a polêmica dos gastos com os preparativos do mundial, uma coisa é certa, se a Seleção Brasileira conquistar o hexacampeonato mundial de futebol em seu país, o torcedor médio estará pouco se lixando para o custo final da competição, mesmo que, no dia seguinte, tenha que enfrentar as longas filas nos postos de saúde, conviver com a insegurança nas ruas e a com a escola pública de baixa qualidade.

Detentora dos lucros, Fifa faz festa privada com dinheiro público.

Cartola

Independente de quem ganhe o Copa de 2014, que terá grandes motivos para comemorar é a Fifa, a entidade que mais lucrará com o evento. De acordo com levantamento da BBC Brasil, a Fifa irá lucar com os contratos de transmissão dos jogos, de marketing e dos patrocinadores, dentre esses últimos seis fixos (Adidas, Coca-Cola, Emirates, Hyundai, Sony e Visa). Ganha também com os contratos exclusivos no Brasil.

Sem a obrigação de transferir parte do lucro para o país sede, a entidade maior do futebol sequer precisa pagar impostos no Brasil, como também não pagou em outros países que sediaram o mundial. Além disso, mantém convênios com hotéis que pagam um percentual sobre as hospedagens, em um esquema em que os preços podem subir por conveniência, como desconfia o Ministério Público. O professor Holger Preuss diz que “a Fifa não está comprometida com o desenvolvimento econômico dos países que sediam as Copas, pois, a princípio, é uma entidade sem fins lucrativos, cujo compromisso é com a promoção do esporte – e, particularmente, do futebol – no mundo. Ela faz uma festa privada e, se você quiser que essa festa seja na sua casa, precisa aceitar as condições da entidade”.

Pois, é: festa privada com dinheiro público. Isso demonstra que, para muito além do gol, futebol é uma questão de negócios.

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Comentários»

1. iva maria o.vianna - janeiro 24, 2014

A minha preocupação, é que vai sobrar para o povo brasileiro! sim!!!,impostos ,má atendimento em hospitais públicos, educação precária,, professores mau remunerados,,,médicos com atrasos dec salários….. e os jovens, contratados? ! que estão trabalhando para que a COPA se realize!! quais seguranças terão depois da copa? será que todos serão reaproveitados!!!… ou ficarão na estaca zero desempregados?
Situações que devem ser repensadas….. e aí os jornalistas, o povo baiano se pronunciarem através dos programas de rádio, ,tvs…jornais,…. já começarem com as cobranças para que esse pessoal ,possa encontrar um lugar ao sol!! E A FIFA HEMMM…. COM tODO BOLÃO NA MÂO!!! SABIDINHOS!!!!
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2. Iva Maria O. Vianna - janeiro 24, 2014

OL ELIESER CESAR.recebi o seu email,fiquei sabendo,concordo! apesar de me sentir feliz com a Copa,sou brasileira! baiana ! da gema!.torcendo para que tudo d certo..DEI o meu comentrio.obrigada, bjos.iva vianna. Date: Fri, 24 Jan 2014 00:11:32 +0000 To: iva-vianna@hotmail.com


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