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SCHOPENHAUER E A ARTE DE ESCREVER junho 11, 2015

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Antes de sair, por aí, publicando um monte de coisas que só servem para gastar tinta, papel e a paciência do leitor, muita gente deveria ler o que o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) escreveu sobre a arte de escrever. Schopenhauer acreditava que “livros ruins são veneno intelectual, capaz de fazer definhar o espírito” e advertia que “para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida curta, o tempo e a energia são limitados”. Implacável, o pensador germânico, um os mais pessimistas da história da filosofia, contabilizava: “Nove décimos de toda a nossa literatura atual não tem nenhum outro objetivo a não ser tirar alguns trocados do bolso do público: para isso, autor, o editor e crítico literário compactuam”.

Quem duvida basta esquadrinhar a vitrine de uma dessas livrarias de shopping center e conferir a indigência intelectual da maior parte dos livros expostos, inclusive, os da moda vigente e de irresistível incentivo à leitura, os de colorir, já que parece que voltamos todos ao jardim de infância.

Os excertos de Schopenhauer foram extraídos do livro A arte de escrever, da boa coleção L&PM POCKET, por sua vez selecionados do libro Pererga und Paralipomena (algo como “Acessórios e remanescentes”). Os pequenos títulos foram colocados por mim, para reforçar o contexto das frases, dos períodos, e das sentenças. Confiram,pois, como disse o filósofo, a vida é curta e o tempo e a energia são limitados.

TEMPERO

“Um bom cozinheiro pode dar gosto até a uma velha sola de sapato; da mesma maneira, um bom escritor pode tornar interessante mesmo o assunto mais árido”.

O PENSAMENTO PRÓPRIO

“A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimento, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada. Pois é apenas por meio da combinação ampla do que se sabe,por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria de seu próprio saber e o domina. Só é possível pensar com profundidade sobre o que se sa sabe, por isso se deve aprender algo; mas também só se sabe aquilo sobre oque se pensou com profundidade”.

ERUDIÇÃO E SABEDORIA

“Os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros, mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e promotores da espécie humana são aqueles que as leram no livro do mundo”.

ROUPA USADA

“Pensamentos alheios, lidos, são como as sobras da refeição de outra pessoa, ou como as roupas deixada por um hóspede em casa”.

LEITOR E PENSADOR

“É possível a qualquer momento sentar e ler, mas não sentar e pensar”

BEST-SELLER

“A condição deplorável da literatura atual, dentro e fora da Alemanha, tem sua raiz no fato de os livros serem escritos para se ganhar dinheiro. Qualquer um que precise de dinheiro senta-se à escrivaninha e escreve um livro, e o público é tolo o bastante para comprá-lo. A consequência secundária disso é a deterioração da língua”.

SEBO

“É melhor comprar livros de segunda mão do que ler conteúdos de segunda mão”.

TÍTULO

“O que endereço do destinatário é para uma carta, o título deve ser para um livro, ou seja, o principal objetivo é encaminhá-lo à parcela do público para o qual o seu conteúdo possa ser interessante. Por isso, o título deve ser significativo e, como é constitutivamente curto, deve ser conciso, lacônico, expressivo, se possível um monograma do conteúdo”.

“Quem não é suficientemente original para dar a seu livro um título novo será ainda menos capaz de provê-lo de um novo conteúdo”.

TOLERÂNCIA ZERO

“É sempre um erro querer transferir para a literatura a tolerância que, na sociedade, é preciso ter com as pessoas estúpidas e descerebradas que se encontram por todo lado”.

O ESTILO

“O estilo é a fisionomia do espírito. E ela é menos enganosa do que o corpo. Imitar estilo alheio significa usar uma máscara. Por mais bela que esta seja, torna-se um pouco depois insípida e insuportável porque não tem vida, de modo que mesmo o rosto vivo mais feio é melhor do que ela”.

“A afetação no estilo é comparável às caretas que deformam o rosto”.

“Devemos descobrir os erros estilísticos nos escritos dos outros para evitá-los nos nossos”.

“Quem tem algo digno de menção a ser dito não precisa ocultá-lo em expressões cheias de preciosismos, em frases difíceis e alusões obscuras, mas pode se expressar de modo mais simples, claro e ingênuo, estando certo com isso de que suas palavras não perderão o efeito. Assim, quem precisa usar os artifícios mencionados antes revela sua pobreza de pensamentos, espírito e conhecimento”.

“É preciso evitar sobretudo os floreios desnecessários, todas as amplificações inúteis e, acima de tudo, o que há de supérfluo na expressão, dedicando-se a um estilo casto. Tudo o que dispensável tem um efeito desvantajoso”.

SINAL

“Leio algumas páginas de um autor e então já sei mais ou menos até onde ele pode me levar”.

A ESCOLHA DO LEITOR

“É tão importante, em relação ao nosso tempo, a arte de não ler. Ela consiste na atitude de não escolher para ler o que, a cada momento determinado. Constitui a ocupação do grande público; por exemplo, panfletos políticos ou literários, romance, poesia etc…, que causam rebuliço justamente naquele momento e chegar a ter várias edições em sue primeiro e último ano de vida”.

BIBLIOTECA AMBULANTE

“Exigir que alguém tivesse guardado tudo aquilo que já leu é o mesmo que exigir que ele ainda carregasse tudo aquilo que já comeu”.

POR QUE LER OS CLÁSSICOS

“Não há nenhum conforto mar para o espírito do que a leitura dos clássicos antigos: logo que uma pessoa tem em mãos qualquer um deles, mesmo que seja por meia hora, sente-se imediatamente renovado, aliviado, purificado, elevado e fortalecido; é como se tivesse bebido de uma fonte ´de água fresca em meio aos rochedos”.

ALFABETO

“As consoantes são o esqueleto, e as vogais, a carne das palavras”.

ARTE

“As obras são a quintessência do espírito”.

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