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HOMENS DO SERTÃO – Em Viventes de Água Preta, Jorge Medauar conta 13 histórias de pessoas simples e rudes das roças do cacau. junho 30, 2016

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Água Preta

Capa de edição premiada de Jorge Medauar

Histórias com cheiro de bicho e de mato e, principalmente, de gente – a gente braba, simples, astuta, boa ou má, ordeira, desconfiada das roças do cacau, tabaréus, trabalhadores rurais, coronéis, comerciantes, mascates – se encontram em Viventes de Água Preta, de Jorge Medauar, recentemente relançado pela coleção Mestres da Literatura Baiana, patrocinada pelo selo editorial da Assembleia Legislativa da Bahia em parceria com a Academia de Letras da Bahia (ALB). O livro é uma coletânea de contos escolhidos pelo próprio autor.

Detentor do Prêmio Jabuti de 1959, da Câmara Brasileira do Livro,Jorge Medauar (não confundir com o político homônimo e parente do escritor) é, hoje, apesar da alta qualidade de seus contos, um nome praticamente esquecido, até na Bahia, como a antiga Água Preta do Mocambo, atual Uruçuca, no sul da Bahia, onde nasceu em 1918, tendo falecido em São Paulo, em 2003, onde atuou como jornalista e publicitário.

O livro reúne 13 contos escritos em linguagem simples, muitas vezes poética, sem recorrer ao maneirismo estereotipado do discurso regionalista, embora apresente um acentuado timbre regional. Não há um só conto irregular. Muitos são bons, alguns excelentes, como o lírico e comovente “O dinheiro do caju” que abre a coletânea. É a travessia da infância de um menino para a adolescência. Há muito tempo o garoto pedia ao pai que o deixasse levar os cajus para vender na feira. O homem resistia, pois via no filha ainda uma criança. Até que foi surpreendido pela passagem do tempo: (mais…)

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A GOSTOSA DO MÊS junho 22, 2016

Posted by eliesercesar in Contos.
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Gostosa

Saia curta, blusa decotada, sandália plataforma, rosto untado de maquiagem, Sheilinha se aproximou de Estela, que gerenciava os negócios.

– Como é que pode?

– O quê?

– Aquela lambisgoia da Milena ser  a Gostosa do Mês? (mais…)

RUA junho 12, 2016

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Rua

Quando a casa
não lhe agrada,
não é mais sua,
pegue a estrada.

TÊNIS junho 10, 2016

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Conga nos pés

Às vezes, acho que a vida não é breve,

mas – ao contrário –  muito longa.

Houve um tempo em que eu corria leve,

no conforto  azul e branco de um  Conga.

ÔNIBUS & CIA junho 2, 2016

Posted by eliesercesar in Contos.
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Vendedor

Primeiro entraram os dois rapazes. O magro e sarará ficou na dianteira. O mulato atarracado se alojou no meio do veículo. O primeiro falou: Bom dia! Ninguém respondeu. Bom dia! Muitos passageiros responderam ao cumprimento, com a rapidez mecânica das mulheres que lotam os programas de auditório da TV. Outros o fizeram por cortesia forçada ou vergonha de ficar calado. O sarará insistiu. Mais forte, gente educada, quero ouvir mais forte! Vou falar de novo. Booom diiaaa! A resposta veio mais alta. Booom diiaaa! O sarará deu um sorriso de satisfação e anunciou que estavam ali para distrair a  todos, com um pouco de poesia. Pronto! Mais um para estragar a viagem, pensei com os olhos pregados no livro que levava para qualquer lugar que permitisse a mínima tranquilidade necessária à leitura. Sempre julguei tentativa de extorsão a aproximação desses vendedores e pedintes de ônibus dispostos a arrancar qualquer moeda dos passageiros que, se tivessem dinheiro sobrando, não andariam nessas espeluncas itinerantes, quase sempre lotadas e tremelicantes como se os parafusos e as arruelas quisessem se desprender das ferragens. Que o prefeito deixasse o seu carro refrigerado e entrasse numa dessas batedeiras conduzindo o rebanho dócil da cidade, de bairro em bairro, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, para a igreja ou ainda para o bar, templo de muitos. Somos artistas de rua, disse o sarará. Ai, meus Deus! Somos poetas…Misericórdia! (mais…)