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OUTRAS VOZES – Em Milênios, novo livro de poesia, Ruy Espinheira Filho revisita os grandes poetas do passado. outubro 27, 2016

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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milenios

A poesia – como a arte em geral –  é dotada de uma natureza de infinito, que a faz perdurar na memória dos homens e sobreviver através das gerações. Por esta característica peculiar e outras razões mais profundas, a poesia, como definiu o poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz (1914-1998), “é a outra voz, a voz das paixões e das visões, de outro mundo e deste mundo, antiga e de hoje mesmo, antiguidade sem datas”. Essa presença atemporal da poesia ganha alento nas páginas de Milênios, novo livro do poeta e escritor baiano Ruy Espinheira, lançado pelo Patuá Editora. Poeta da memória, como já se disse muitas vezes, nos poemas desta coletânea Ruy Espinheira Filho celebra a permanência de artistas separados por séculos, de parentes e amigos, inclusive os mortos que ainda vêm sentar à  mesa do poeta, até que ele mesmo vá um dia, como todos nós, sentar-se  à mesa deles, como no  Soneto das Mesas, escolha feliz que abre o livro.

No grande (tanto no sentido estético quanto espacial) poema que empresta título ao livro, vemos  Ruy Espinheira Filho – num reconhecimento ao legado coletivo, também “a outra voz”  –  caminhar  com uma legião de poetas, filósofos e escritores, num passeio com a antiguidade sem datas da poesia.  Em Milênios, o poeta caminha com Alcmã, “para alguns o inventor da poesia amorosa”, anda com Mnermo, de Colofão, a lembrar que “breves são as flores da juventude”; é convidado por Alceu, de Mitilene, a beber o vinho ofertado por Zeus e Sêmele para esquecermos nossas penas; evoca “a grande Safos de Lesbos, transverberada pelo amor”;  ouve Píndaro definindo o homem como “o sonho de uma sombra”, aprende, através de Baquílides, que “não é fácil alcançar a porta das palavras nunca ditas”, embora os bons poetas guardem as chaves dessas portas. Dialoga com Platão, ainda que o filósofo não quisesse os poetas em sua República; aproveita o dia  como Horácio; e ainda menciona Ovídio, Petrônio, Catulo, Virgílio, Sêneca, Sidônio, Nemesiano e outros; tão próximos por esses milênios estreitados pelo engenho e pela arte: (mais…)

HETERÔNIMOS outubro 24, 2016

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fp

Quem de mim,
sou eu mesmo?

POEMA PARA APAZIGUAR OS MORTOS outubro 22, 2016

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folha

Demora rápido:
logo estaremos juntos.

JIHAD outubro 21, 2016

Posted by eliesercesar in Contos.
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O menino não queria ir à festa. A mãe, outrora foliona extasiada, preferia ficar em casa. O pai não fazia questão de sair, detestava a música barulhenta e requebrativa, com letras bobas e refrões onomatopaicos, mas acabou convencido pelas duas filhas adolescentes, que por nada perderiam o Carnaval, ainda mais que ficariam num camarote para assistir ao desfile dos principais blocos com as melhores atrações da folia. Queriam (e por isso, se rebelaram juntas), ver um jovem cantor sertanejo numa festa de samba e pagode. Os pais cederam e foram à rua, afinal, era melhor ter as meninas vigiadas de perto, longe das investidas dos marmanjos que não respeitavam ninguém; quem tem filha moça sabe como é!

No final da manhã, toda a família já estava no camarote. O menino indiferente à algazarra na pista. As meninas animadas, cochichando entre si sempre que viam um rapaz atraente. O pai, parado e sisudo. A mãe teve uma recaída foliã e dançou como nos tempos de solteira ao som de uma esgoelada cantora de sucesso. O calor era intenso. Os pais bebiam cerveja e os filhos refrigerantes. (mais…)

MAFUÁ DA AMIGA – Em A solidão mais funda, Ângela Vilma dialoga com vários poetas, num brinde à amizade. outubro 5, 2016

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Em 1948, o poeta Manuel Bandeira resolveu presentear os amigos com a publicação de Mafuá do Malungo, com versos onomásticos e circunstanciais oferecidos em aniversários, casamentos, batizados e até em dedicatórias de livros, presente e brinde à amizade. Foram somente 110 exemplares numa edição impressa manualmente pelo poeta João Cabral de Mello Neto, em Barcelona. Sessenta e oito anos depois, a poeta baiana Ângela Vilma, numa iniciativa igualmente generosa, também decidiu homenagear os amigos poetas, num diálogo intertextual com a poesia deles. O resultado foi A solidão mais profunda- Homenagem aos grandes solitários- coletânea de poemas recentemente lançada pele editora baiana mondrongo.
 
Entre os homenageados estão poetas vivos e mortos, consagrados e desconhecidos do grande público, como os brasileiros Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado; os portugueses Fernando Pessoa e Antônio Nobre; o chileno Pablo Neruda, o francês Arthur Rimabud; o tcheco Rainer Maria Rilke, a russa Anna Akhmátova, a polonesa Wislawa Szymborska e a estadunidense Emily Dickson. Com os poetas de sua aldeia, a Bahia, Ângela Vilma prodigaliza homenagens a Castro Alves, Eurico Alves, Ruy Espinheira Filho, Antonio Brasileiro, Affonso Manta, Anne Cerqueira, Kátia Borges, Kátia Borges, Rita Santana, Martha Galrão e – suprema generosidade! – até ao autor desta resenha, dentre outros.

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