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O TREM DA VIDA dezembro 31, 2016

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Trem
I
 Saí da gare o mesmo trem;
lento na tempestade,
acelerado na bonança.
II
Viajamos  no mesmo trem,
sobre  os trilhos enferrujados da esperança.

DO AMOR dezembro 30, 2016

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Festa

Ah, o amor!
Todos têm tido.
Para uns, viçosa flor.
Para muitos:
prazo vencido.

LÁPIS NA ÁGUA dezembro 30, 2016

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santo

I

Disse o poeta, Antonio Brasileiro:
“escreve, escreve.

II

Que outro ofício
nos faz tão leves?

NUVENS dezembro 25, 2016

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tempestade

I

No vento,
mantenha a calma.

II

Logo virão
os ventos d’alma.

VIDA E DESTINO dezembro 24, 2016

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(Título pescado do soberbo romance de Vassili Grossman)goghman)

Aquele, logo fica tonto;
o outro é o que mais resiste.
A vida não passa de um conto,
que (em geral) acaba triste.

VIVA O POVO BRASILEIRO! dezembro 22, 2016

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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mary-e-o-livro

– Em Histórias da Gente Brasileira, Mary Del Priore coloca a massa anônima no palco das grandes transformações do país.

Em geral os livros de história relatam os grandes acontecimentos, guerras, conquistas, descobertas, invenções e outros fenômenos protagonizados por grandes homens e mulheres: generais, imperadores, rainhas, princesas, grandes navegadores, cientistas, artistas, líderes políticos e religiosos etc. O povo só aparece como coadjuvante para compor números e o pano de fundo dos fatos cruciais que transformaram as sociedades ao longo dos séculos. Em seu novo livro, Histórias da Gente Brasileira (São Paulo: Leya, 2016) a historiadora Mary Del Priore rompe com esta lógica perversa e coloca a massa anônima no proscênio da História como fio condutor de seus relatos, o primeiro volume sobre a vida no Brasil colonial.

A obra será uma tetralogia que passará pelo Império, a Era Vargas e terminará no Brasil moderno. Já no prefácio, a historiadora avisa que, no livro, o leitor “há de conhecer uma história do Brasil diferente; não aquela dos grandes feitos, nomes e datas que marcaram o nosso passado; tampouco aquela dos fenômenos extraordinários que provocaram rupturas na nação, mas as histórias do dia a dia, ou melhor, de todos os dias da semana”. São, como ressalta Mary Del Priore, “histórias feitas por personagens anônimos do passado, que raramente nos sãos apresentados, pois se confundem com o tecido social em construção; uma história da gente brasileira no labor cotidiano, inventando, produzindo e ganhando o pão de cada dia. Sim, no gerúndio mesmo, pois a vida real se passa nesta forma de verbo”. (mais…)

MALA POSTAL dezembro 21, 2016

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pacote

I

Todo mundo gosta de receber um livro,
pelo correio, em casa;
um livro desses que diz:
o tempo passa, não passa.

II

Todo mundo gosta de receber um livro,
pelo correio, em casa;
um livro desses que ajuda a viver,
mesmo que não se pretenda ler.

PANFLETO dezembro 21, 2016

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tio

(Para Mário Aleixo Bastos, in memorian)

I

Vou fazer um poema panfletário:
sobre a direita, a esquerda
o banqueiro e o operário.

I
Fiz um poema panfletário:
para Tio Mário.

TEORIA DA RELATIVIDADE DO TEMPO dezembro 20, 2016

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cavalo-do-tempo

O tempo passa, mas,
ao mesmo tempo,
fingi que não passa.
É lento e também devagar,
mas, sempre chega lá:
onde estaremos todos,
muitos mais cedo
muitos bem tarde,
e com medo.

II

O tempo passa, mas,
ao mesmo tempo,
fingi que não passa;
e (ao final dos tempos),
junta jiló e passas.

III

O tempo é ardiloso:
demora naquela moleza rápida,
que é bem dele,
mas,
atinge a mim, a você e a ele.
Quando quer, bota banca.
Por isso, também é presepeiro.
Para uns, égua manca,
para outros, cavalo ligeiro.

 

A CLASSE OPERÁRIA NÃO VAI AO PARAÍSO – Em No Chão da Fábrica, Roniwalter Jatobá é o cronista da exploração do proletariado. dezembro 17, 2016

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convite-de-rj

“Tudo miúdo, até a vida”.

(Do conto Pano Vermelho)

 

Ao que me consta, foi Amando Fontes com Os Corumbas, romance de 1933 sobre o calvário e a desagregação de uma família sergipana na cidade grande pré-industrializada, que introduziu a fábrica (e, por extensão, o proletariado) na literatura brasileira. Quase meio século depois, o mineiro Roniwalter Jatobá amplia o tema apenas sugerido por Amando Fontes e faz da exploração do operário – o migrante nordestino que fugiu da seca e da miséria para viver na periferia de São Paulo – o leitmotiv de sua obra, sobretudo deste No Chão da Fábrica, (São Paulo: Nova Alexandria, 2016), que acaba de sair do pátio da indústria de personagens miúdos, derrotados e desencantados em que se transformou a ficção desse autor que deixou o interior da Bahia, onde foi chofer de caminhão,  para ser também operário na maior metrópole do Brasil.

No Chão da Fábrica é a reunião de três livros anteriores de Jatobá: Sabor de Química, de 1976; Crônicas da Vida Operária (1978) e a novela, visceral e dolorosa, Tiziu (1994). Em comum com as três a utilização do peão de fábrica como personagem coletivo de uma tragédia brasileira: a impiedosa exploração do trabalhador iludido com as promessas jamais cumpridas do “milagre brasileiro”, a maior peça de marketing político da ditadura militar instalada no país em 1964. De milagre mesmo para os deserdados da sorte, os humilhados e ofendidos de Roniwalter Jatobá, só a capacidade de sobrevivência em meios às condições mais adversas e o apego à esperança quando todas as portas para uma vida melhor parecem trancadas por dentro, para que os pobres não possam entrar na Terra Prometida da justiça social. (mais…)