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RIO agosto 22, 2017

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rio

Há vidas que não têm divisor de águas,
previsíveis e estagnadas,
duras e sem rupturas,
como um rio que não deságua.

ROSTO NO ESPELHO agosto 4, 2017

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I

 

O Rosto no espelho

No espelho, vejo o rosto de meu pai.

Ou será o meu?

Tanto faz!

 

II

Pois lhe digo:

Vejo um rosto antigo.

III

Com os olhos baços,

e a alma transida,

o que vejo é uma forma

(até então desconhecida),

de cansaço.

ENTRE FLORES agosto 3, 2017

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Flores

Quero morrer sossegado de amores,

sem dissabores, e (quiçá) sem dores.

E, se não puder apascentado,

pelo menos, em paz, sentado

e entre flores.

BENS DURÁVEIS julho 27, 2017

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Galinha

Um pé de manga nascendo no quintal,
um prato de comida quase sem sal,
um pavão todo depenado,
um paletó com o bolso furado,
uma galinha d’Angola,
um pássaro fora da gaiola,
uma cachorro, um gato e uma lebre,
38,6 graus de febre,
uma música distante e noturna.

E ainda querem tomar ninha fortuna…

 

 

OS DOIS LADOS DA VIDA junho 13, 2017

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Sem Pressa

I

Hei de decidir sobre
os dois lados da vida.
Um desiste;
outro persiste.
Um é alegre,
outro, triste.
São mesmo assim
os dois lados da vida.

II

Sei o meu.

DO LIVRO DAS INDAGAÇÕES junho 8, 2017

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só

Que homem é estável?

TALENTO maio 19, 2017

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Garota lendo

Às vezes ágil;
outras, lento.

O verso ruim
é um tormento.

 

EUREKA março 28, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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eureka

I

Não se debata procurando o poema.
Não fique triste.
Tem certeza que ele existe?

II

Não se debata procurando o poema,
Se não veio, a culpa não foi dele.
Se desejar, arranque os cabelos.
Ou, então: espere, espere.

III

Quem sabe um dia,
você poderá dizer: Eureca?!
Então, enfim, já fez o seu poema
e também ficou careca.

BRASIL março 28, 2017

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Chora, Brasil.

Lutamos pelo pão,
pelo sim e o não,
pela terra e a nação.

Lutamos pela clareza,
jamais pela escuridão.

E, no entanto, (faz sentido?),
ficamos num ponto indefinido
entre a esperança e a decepção.

O TÚMULO DE MEU PAI março 3, 2017

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folha

I

Revi o túmulo de meu pai
(1918-1989, difícil aritmética).

II

Revi o túmulo de meu pai.
Então, achei a vida breve,
como a folha amarelinha,
eterna e breve,
que caiu sobre o túmulo de meu pai.

Tucano, Bahia, 27-02-2017