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ENTRE FLORES agosto 3, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Flores

Quero morrer sossegado de amores,

sem dissabores, e (quiçá) sem dores.

E, se não puder apascentado,

pelo menos, em paz, sentado

e entre flores.

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BENS DURÁVEIS julho 27, 2017

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Galinha

Um pé de manga nascendo no quintal,
um prato de comida quase sem sal,
um pavão todo depenado,
um paletó com o bolso furado,
uma galinha d’Angola,
um pássaro fora da gaiola,
uma cachorro, um gato e uma lebre,
38,6 graus de febre,
uma música distante e noturna.

E ainda querem tomar ninha fortuna…

 

 

AUTO-DE-FÉ DE PERPLEXIDADE julho 4, 2017

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Vaca

Em Vaca de Nariz Sutil, o mineiro Campos de Carvalho faz a expiação de um neurótico de guerra.

Há quem compare o escritor mineiro Campos de Carvalho (1916-1998) há Edgar Allan Poe, pelo aspecto sombrio da obra, e a Henry Miller, pela iconoclastia  sem peias. Creio que a comparação mais próxima seria com o francês Louis-Ferdinand Celine, o Celine de Viagem ao fim da noite, pelo niilismo visceral, o desnudamento cru da condição humana e um certo existencialismo misantropo, contidos, por exemplo, em Vaca de nariz sutil.

Neste livro de 1961, o personagem destila sua neurose de guerra, sua antipatia pelos semelhantes, sua cicatriz cruel de sobrevivente dilacerado, seus traumas e recalques, com o mesmo prazer mórbido com que os iconoclastas destruíam as imagens sagradas. Nas memórias e reflexões que chama, acertadamente, de “auto-de-fé de perplexidade” – a perplexidade sem trérgua da condição humana – o narrador sem nome não poupa nem a si mesmo, ou, principalmente, a si mesmo:  “Um monstro Eu, ou quem me fez? ”. Enfim, um anti-herói, um outsider que carrega “o diploma de esquizofrênico no bolso junto com uma medalha de ouro”. (mais…)

OS DOIS LADOS DA VIDA junho 13, 2017

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Sem Pressa

I

Hei de decidir sobre
os dois lados da vida.
Um desiste;
outro persiste.
Um é alegre,
outro, triste.
São mesmo assim
os dois lados da vida.

II

Sei o meu.

DO LIVRO DAS INDAGAÇÕES junho 8, 2017

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só

Que homem é estável?

TALENTO maio 19, 2017

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Garota lendo

Às vezes ágil;
outras, lento.

O verso ruim
é um tormento.

 

ÉDIPO CAATINGUEIRO – Em O homem da lupara amarela, Alfredo Gonçalves de Lima Neto se inspira em Sófocles para criar uma tragédia no sertão. abril 1, 2017

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Lupara

Em companhia de um amigo, um rapaz viaja para Crato, no sertão do Ceará, para conhecer a festa do padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço dos devotos nordestinos. Lá, ouve de uma cigana a terrível profecia: “Estás fadado a deitares com tua mãe e também a matares o teu pai! ”. Até então de boa índole, o jovem se assusta. Volta para casa, mas não consegue esquecer a previsão da mulher. Teria o vaticínio a mesma força, inelutável e cega, que rege o destino fechado dos heróis caídos da tragédia grega?

A resposta está no romance O homem da lupara amarela do escritor Alfredo Gonçalves de Lima Neto, médico nascido em Salvador e radicado em Valença, no baixo sul da Bahia., que transplanta para o sertão baiano o cerne da desdita de Édipo Rei, a mais conhecida tragédia de Sófocles (496 ou 494 a.C – 406 a.C). (mais…)

EUREKA março 28, 2017

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eureka

I

Não se debata procurando o poema.
Não fique triste.
Tem certeza que ele existe?

II

Não se debata procurando o poema,
Se não veio, a culpa não foi dele.
Se desejar, arranque os cabelos.
Ou, então: espere, espere.

III

Quem sabe um dia,
você poderá dizer: Eureca?!
Então, enfim, já fez o seu poema
e também ficou careca.

BRASIL março 28, 2017

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Chora, Brasil.

Lutamos pelo pão,
pelo sim e o não,
pela terra e a nação.

Lutamos pela clareza,
jamais pela escuridão.

E, no entanto, (faz sentido?),
ficamos num ponto indefinido
entre a esperança e a decepção.

O TÚMULO DE MEU PAI março 3, 2017

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folha

I

Revi o túmulo de meu pai
(1918-1989, difícil aritmética).

II

Revi o túmulo de meu pai.
Então, achei a vida breve,
como a folha amarelinha,
eterna e breve,
que caiu sobre o túmulo de meu pai.

Tucano, Bahia, 27-02-2017