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NÔMADE junho 16, 2021

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Sempre procurei-me com um rosto,
uma altura, um peso, um jeito, um nome,
para, ao final, descobrir que,
dentro de mim é que sou nômade.

TRÉGUA junho 16, 2021

Posted by eliesercesar in Sem categoria.
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Não desafio mais a vida.

Estamos fartos desse embate.

Proponho um empate.

O ESPÍRITO SECRETO DAS RUAS – Ao flanar pelo Rio de Janeiro, no começo do Século XX, João do Rio demonstrou que as ruas têm alma. março 1, 2021

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é j-rio.png

O nome é do tamanho de uma avenida: João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, ou simplesmente João do Rio. Contemporâneo de Machado de Assis e Lima Barreto, João do Rio (1881-1921), com seu jeito de dândi tropical, transformou a reportagem jornalística numa crônica social do Rio de Janeiro nas duas primeiras décadas do Século XX.

Para tal, já fazia o que todo bom jornalista deve fazer hoje em dia: bater pernas pelas ruas da cidade e não esperar que os fatos cheguem à redação refrigerada, como na época do cronista carioca em que os informes aportavam de navios com espantosa desatualidade, mas ainda assim com verniz novidadeiro para uma sociedade sequiosa por novidades.

Acima de tudo um flâneur, João do Rio se esgueirava pela cidade, enfatiotado, com o  ventre rotundo e  uma leveza de repórter emplumado. A tudo via e a tudo obervava. Nada parecia escapar de seu olhar perscrutador, pois, o que ele procurava era o espírito da cidade e alma de seu povo. O cronista sabia que toda cidade, por menor e mais provinciana que seja, tem uma alma pulsante e um coração transbordante de paixões.

Muito acima de números, estatísticas, balanços financeiros, planos econômicos salvacionistas, notícias oficiais e oficiosas, o jornalismo sempre foi a história que se desenrola no tempo presente de um povo. Como se o cronista fosse um historiador que atua no calor da hora. Disso João do Rio sabia como poucos. Os personagens de suas reportagens ou crônicas sociais (não confundir com o trabalho, anódino e bajulador, de algumas colunas sociais de hoje, produzido por garotos de recados das elites político-econômica) era o zé-povinho, a ralé, os enjeitados da sociedade que só apareciam nas páginas policais ou, com uma dose de piedade, nos obituários dos jornais (um nome, uma data de nascimento e um cemitério qualquer, um rabisco de existência).

NATA ENJEITADA

João do Rio flanou pelas ruas do Rio de Janeiro conversando com mendigos, ladrões, prostitutas, meninos que vendiam jornais, velhos cocheiros, artistas de rua, viciados; enfim toda nata rejeitada do leite derramado da sociedade.  E, das andanças de um burguês atento e curioso, produziu um belo livro de crônicas, “A alma encantadora das ruas”, reunião de reportagens escritas entre 1904 e 1907 para o jornal Gazeta de Notícias e a revista Kosmos.

Para o cronista, as ruas eram animadas, não apenas pelo fluxo de pessoas e histórias de gente, mas no sentido de também possuir uma alma que distinguia um determinado logradouro de outro:

Oh! Sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas, snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue…

A melhor hora para observar a cidade e apreender o sentido das ruas? Com a palavra o cronista noctívago:

Qual de vós já passou a noite em claro ouvindo o segredo de cada rua? Qual de vós já sentiu o mistério, o sono, o vício, as ideias de cada bairro?

A alma da rua só é inteiramente sensível a horas tardias.

As ruas também parecem ter pensamento próprio:

Se as ruas são entes vivos, as ruas pensam, têm ideias, filosofia e religião.  Há ruas inteiramente católicas, ruas livres-pensadores e até ruas sem religião.

Porém, muito cuidado, afobado repórter, ao percorrer a cidade em busca da alma intrínseca de cada rua, cada beco, cada viela, cada bestega (rua estreita na época do cronista), ladeira, avenida ou alameda, pois, como adverte o próprio João do Rio:

Rua é como cobra. Tem veneno.

Caminhe vacinado.

Para empregar uma palavra nada eufônica, mas muito usada no tempo do cronista, o que João do Rio fez foi um panegírico das ruas.

REFELXO outubro 4, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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A vida é como um espelho.

em que você se olha.

E depois decide, se

fica na parte de dentro,

ou continua do lado de fora.

REBOCO outubro 4, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Como uma casa, cada um

vai construindo a vida.

Um tijolo por cima do outro,

uma telha aqui e outra acolá.

O cimento, a pá, a cal,

a pintura na parede,

o quintal, a varanda e o jardim.

Por último, (já quase no fim)

os armadores e a rede.

Assim como uma casa,

cada um vai construindo a vida;

pouco a pouco.

A alma é o reboco.

BOMBA-RELÓGIO DA MENTE julho 30, 2020

Posted by eliesercesar in Artigos.
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– Como explodem as manifestações do Transtorno Afetivo Bipolar, em suas fases depressiva e maníaca.

Padecer de Transtorno Afetivo Bipolar é carregar na mente uma bomba-relógio que vai explodir, com potencial para causar muitos danos, pessoais e colaterais. A doença se apresenta em duas manifestações: a fase depressiva, na qual o paciente murcha numa letargia que o imobiliza para os prazeres da vida, exibindo uma tristeza profunda e impulsos suicidas, quando não tentam ou conseguem, de fato, cometer o suicídio; e a etapa mais visível, a maníaca, quando manifesta uma euforia despropositada, irritabilidade, comportamento irascível, impaciência, delírios de perseguição e violência, aumento da libido   que o leva a relacionamentos precipitados, inclusive com pessoas que em circunstâncias normais  não lhe despertariam muito interesse, dentre outras atitudes patológicas.

É o paroxismo da doença, quando todas as amarras parecem se romper e as virtudes se negarem. O resultado disso são danos, muitas vezes irreversíveis, causados à família e a pessoas que o doente ama, rompendo as fronteiras pessoais e interpessoais, como a vida privada e o trabalho. Na fase depressiva o perigo é maior para pessoa que sofre do Transtorno Bipolar. Na maníaca quem estiver à volta dela pode ser atingido pelos estilhados passionais de quem não é mais capaz de controlar a própria impulsividade. Daí o termo “bipolar”. Até 1980, a enfermidade era conhecida como Psicose Maníaco-Depressiva (PMN), quando o termo foi substituído pela DSM (Manual diagnóstico e estatístico dos Distúrbios mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatra). (mais…)

IDEOLOGIA julho 22, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Há socialista, fascista,
sambista, jazzista,
egoísta, altruísta,
materialista e mediúnico.
Para a morte e sua lista,
todo homem é único.

FOLHA julho 21, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Uma folha improvável
caiu na minha sala.
Venceu seis andares,
evitou outros lares,
e veio cair na minha sala.
Muitos (com descaso) dirão:
“foi mero acaso”.
Pode até ter sido,
mas sua presença
me deixou assim: amanhecido.
Foi uma folha alada,
tênue e desgarrada,
enviada pelo vento;
uma simples folha,
verde alento.

PORQUE NÃO SOU ESTE CRISTÃO março 12, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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(Lembrando Bertrand Russel).

Um país cristão em que
parece proibida a compaixão.
Um país cristão em que os crentes fazem arminha com a mão.
Um país cristão em que se nega o pão.
Um país cristão que se prega a segregação.
E quase não se diz sim,
mas, frequetemente, não.
Um país cristão em que se rouba,
o pai, a mãe, o filho e o irmão,
em que, em cada esquina,
espreita uma traição.
Um país cristão em que se acende
uma vela para o santo
e duas para o cão.

Não! Não são cristãos
(pelo menos sãos).
São manipulados, insisto.
É de vocês. Nunca foi meu
este Cristo.

FECHADO PARA BALANÇO março 11, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Se você se sente como um armazém de secos e molhados
– seco por dentro, molhado por fora –
fique aí mesmo,
não se vá, por aí, embora.
Feche-se para balanço,
que, um dia, passa esse ranço.