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O CELTA SONHAVA COM A LIBERDADE setembro 18, 2019

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Os males do colonialismo e a luta de um homem para libertar seu país, a Irlanda, do domínio britânico são os temas do romance O sonho do celta, do peruano Mario Vargas Llosa. Neste livro, o Nobel de Literatura de 2010 retorna ao romance histórico (depois de A guerra do fim do mundo, sobre o massacre de Canudos, na Bahia, e A festa do bode, uma radiografia da ditadura de Rafael Trujillo, na República Dominicana), para contar o drama real de Roger Casement (1864-1916), ex-cônsul britânico enforcado por alta traição pela Inglaterra.

Casement é mandado pelos britânicos ao Congo Belga e depois à Amazônia peruana, para investigar as atrocidades e os crimes cometidos contra os nativos; no país africano pelo império de Leopoldo II; da Bélgica; na região de Putumayo, na selva peruana, por uma multinacional que extrai o látex à custa do massacre das tribos indígenas. Nos dois casos produz um relatório devastador de repercussão internacional. Ainda no Congo, o jovem idealista que pensava que veria na África os esforços humanitários para levar o progresso e a civilização cristã aos nativos, se depara com a exploração desapiedada e a crueldade bestial. O mesmo horror que impressionou Joseph Conrad (de O coração das trevas) com quem Casement se encontrou no Congo Belga.

No Congo e na Amazônia peruana, a visão de mundo de Casement se modifica diante da cruel realidade e o aventureiro e humanista irlandês percebe que a exploração e o mal também ocorrem em sua pátria ocupada pela Inglaterra. Com isso, renega o país de empréstimo, vira um nacionalista radical e passa a combater pela libertação da Irlanda, numa guerra sangrenta e de escramuças que se prolongaria por todo o Século XX.
No romance uma frase me fez pensar na atual política indigenista do Brasil e na cegueira deliberada do governo em relação a Amazonas: “Para eles os índios amazônicos não eram, propriamente falando, seres humanos, mas, e sim uma forma inferior e desprezível de existência, mais próximas dos animais do que dos civilizados”.

Confiram as reviravoltas na vida de um homem tragado pelo turbilhão da história, em O sonho do celta, mais um grande romance de Mario Vargas Llosa.

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CHUVA julho 8, 2019

Posted by eliesercesar in Poesia.
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I

O que chega com a chuva?
A lembrança de Ihona,
a infância, um circo
com furos na lona,
um barquinho de papel
à deriva numa poça rasa,
e um menino com medo trovão,
dentro de casa.

II

O que chega com a chuva?
A memória cíclica de Borges:
“La lluvia es una cosa
Que sin duda sucede en el passado”.
E, na roça, a lerdeza dos bodes.

III

O que chega com a chuva?
Um riachinho sem foz,
e, também a tempestade
que já desaba dentro de nós.

DO LIVRO DAS INDAGAÇÕES julho 8, 2019

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Quando chega de fininho,
para que país, para que mundo,
canta um passarinho?

CAFÉ DA MANHÃ junho 25, 2019

Posted by eliesercesar in Sem categoria.
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Sentamos, você e eu, à mesa,

com o pão, o leite, o açúcar e a manteiga.

Você falando trivialidades,

eu, pensando no infinito;

você comentando o capítulo da novela;

eu, pensando noi sem fim.

Sentamos, então, à mesa, você e eu.

Mas o café não é o mesmo.

FOGUEIRA DE SÃO JOÃO junho 25, 2019

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Ilustração: Cândido Portinari.

“Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?”

(Profundamente, Manuel Bandeira)

Havia uma fogueira de São João,
o menino, a mãe, o pai e os irmãos;
também as tias, os primos e o povo vizinho.

Ao redor da fogueira, ninguém estava sozinho.
E, para esquentar, o fogo, os fogos,
a canjica, o licor e o quentão.

Havia uma fogueira de São João.
Havia uma fogueira…

O HEXA DE MEU PAI maio 18, 2019

Posted by eliesercesar in Contos.
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1

 

— Quanto foi o jogo, José?

 

Meu pai sempre foi fanático pela Seleção Brasileira. Na Copa do Mundo, perto dos festejos de São João, sempre dava um jeito de ajudar a enfeitar a nossa rua com bandeirolas e balões verde-amarelos. Comprava para toda a família uma camisa do Brasil, e ai daquele, inclusive minha dócil e submissa mãe, que se recusasse a vesti-la durante os jogos do time canarinho. Era, no mínimo, um traidor, um vendilhão do auriverde-pendão-da-esperança, como meu pai gostava de dizer em seus arroubos condoreiros. Só admitia a camisa amarela. Rechaçava, a azul por considerar a cor mais apropriada à Itália, inimiga odiada desde aquela eterna e traumática Copa de 1982 (com o Brasil em campo, ele não via adversários, mas só inimigos a serem batidos sem piedade).

Meu pai era um torcedor peculiar, uma ave rara entre os adeptos passionais do futebol. No campeonato brasileiro e mesmo nos regionais, não demonstrava preferência por nenhum time. Era indiferente a quem ganhasse, perdesse ou empatasse, enquanto, aqui em casa, eu e meus irmãos nos dividíamos entre o Bahia e o Vitória. Só ligava para a Seleção Brasileira e, ainda assim, apenas na Copa do Mundo. A Copa América e outros torneios, que julgava pouco dignos de atenção, não lhe interessavam. A não ser que o Brasil enfrentasse a Argentina porque, nesse caso, qualquer amistoso já virava uma final. Do mesmo modo que existem os poetas bissextos, meu pai era um torcedor quadrienal. Naquele patriotismo de hora marcada, era como se, a cada quatro anos, ele fosse convocado para uma guerra na qual deveria defender o uniforme verde-amarelo. Nessas ocasiões, o homem sério, de poucas palavras e gestos comedidos, perdia as estribeiras e se igualava a um reles torcedor de botequim, daqueles prontos a discutir qualquer lance de uma partida de futebol e culpar a arbitragem mercenária e a imprensa tendenciosa pelos tropeços de seu time. (mais…)

BORGES E O TEMPO CÍCLICO maio 16, 2019

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Relendo uma antologia poética (1923-1977), organizada pelo próprio Borges (para ser lida de modo hedônico, como aliás, sempre o faço; e não ao sabor de teorias e correntes literárias, como pede o autor no prefácio do livro), me ocorreu que o tempo, ou melhor o tempo cíclico, é um dos fios condutores da poesia de Jorge Luís Borges. Um exemplo, no poema La Lluvia:

La lluvia es una cosa

que sem duda sucede em el pasado.”

Outro, no poema Androgué: (mais…)

DIVERSÃO EM FAMÍLIA abril 28, 2019

Posted by eliesercesar in Contos.
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Somos uma família diferente. Temos nossas próprias regras e não gostamos de imitar os outros. Sempre encontramos um jeito peculiar de nos divertirmos. Esse traço nos distingue dos demais e, creio, mantem o equilíbrio, a harmonia e a sanidade mental da família. São criativas e variadas as nossas diversões. Há dias em que minha mulher, vindo da cozinha, avisa qual será a brincadeira do dia, para alegria expansiva das crianças e, devo reconhecer, minha secreta satisfação.
 
– Bombar o colesterol!
 
As crianças pulam de entusiasmo. É a deixa para que todos avancemos nos pratos que minha mulher pôs na mesa: salsicha, salame, mortadela, bacon, costeleta de porco, queijo, ovos fritos, biscoitos recheados, pastéis encharcados de gordura e outras iguarias que apreciamos. Nem precisa dizer que nos refestelamos – com o perdão da vulgaridade – até o cu fazer bico. Depois, nos entupimos de refrigerante e tiramos uma sesta que ninguém é de ferro.
 
Outras vezes, saindo da mesma cozinha, carregando pratos, minha mulher grita:
 
– Desafiar o açúcar!
 
Então, atacamos toda a sorte de guloseimas: chocolate, brigadeiro, queijada, cocada, mousse, sorvete, quebra-queixo, chicletes e outros doces. Saímos, lambuzados e, depois, como ninguém é de ferro, tiramos uma sesta.
 
Aos domingos, muda a senha vinda cozinha:
 
– Quebrar a dieta!
 
Em seguida a mesa é coberta por pratos substanciosos como rabada, sarapatel, feijoada, mocofato, xinxim de bofe e de galinha, caruru, vatapá e mariscada. Sentamos com as crianças que, Graças a Deus, sempre tiveram um bom apetite, comemos a valer, inclusive a açucarada sobremesa e, como ninguém é de ferro, tiramos uma sesta, já pensando na suculenta merenda que nos espera mais tarde.
 
Quando a mulher está sem disposição para a cozinha, vamos no divertir nos restaurantes, onde, ao final das refeições, escandalizando os comensais, orquestramos uma desafinada sinfonia de arrotos. Uma verdadeira guerra de arrotos, quase sempre vencida pelo menino mais velho. Claro que, depois da exibição, não voltamos ao mesmo restaurante. Não por receio de não sermos atendidos ou até postos para fora, mas porque perderíamos a graça e o prazer de surpreender os outros clientes, como fazemos na Sexta-feira da Paixão, quando (sempre em uma churrascaria diferente) as crianças, como esses meninos birrentos que, aliás, não o são, começam a espernear:
 
– Painho, carne! Mais churrasco, mainha!
 
Não pensam, no entanto, que a maneira de nos divertimos em família é apenas gastronômica. Esta é apenas a parte caseira dos lazeres que asseguram a nossa invejável coesão familiar. Temos também os divertimentos comportamentais. Desse tipo de entretenimento, é o papai aqui quem se encarrega.
 
Ficou acertado entre nós que, quando digo “aos pombos!, vamos todos à praça principal onde os columbiformes cagam, sem a menor cerimônia na cabeça dos pedestres (uma vez até acertaram a lente dos meus óculos). Nessas ocasiões, a menina mais nova atira milho na calçada. Os pombos chegam numa precipitação de asas, aterrissam pressurosos e, com aquele sestro de pinicar a cabeça para frente, começam a comer o milho. Só aí é que tiramos as pedras que carregamos escondidas no bolso e começamos a alvejar aquelas indefesas criaturas, até sermos contidos por pessoas indignadas ou ameaçados de prisão pela guarda municipal. Neste caso, só nos resta a retirada honrosa:
 
– Vamos, crianças! – ordeno.
 
E, com o brio de um pequeno pelotão obrigado a recuar diante da chegada de reforços do inimigo, saímos todos, com as mãos nos bolsos já vazios de pedras, assoviando uma música pastoral, como a “cena à beira do riacho” da sinfonia de Beethoven. Sim, até ia me esquecendo, a boa música é outro cultivo da nossa família. Temos o prazer de cantar trechos de ópera, sobretudo quando os vizinhos assistem ao telejornal ou a novela do horário nobre da tevê.
Claro que temos ocupações mais inocentes e até obsoletamente infantis. Como sair tocando a campainha das casas vizinhas. Numa dessas investidas, uma moradora me pegou em flagrante, ao abrir a porta no momento em que eu acabara de acionar a campainha (para o meu azar, acho que ela já estava mesmo de saída). A mulher colocou as mãos nas cadeiras e, menos do que reclamar, escrachou:
 
– Mas, até o senhor?! Nesta idade e não tem o que fazer. Um meninão crescido…
 
Minha mulher e as crianças, que haviam sido bem-sucedidas na abordagem às portas alheias, me olhavam de longe.
Vermelho de vergonha, balbuciei uma desculpa:
 
– Oh, me perdoe, minha senhora! Ando tão distraído…
 
A mulher bateu a porta na minha cara. Como um cão enxotado, saí com o rabo entre as pernas.
 
Fazíamos também “o desafio dos tímpanos”. Consistia em bater panelas, como nos protestos de rua, e berrar o máximo possível, até que um vizinho reclamasse ou ameaçasse chamar a polícia ou o hospício, como disse um mais nervosinho. Contudo, a peça que as crianças mais gostavam era pegar o metrô para tomarmos o assento dos idosos, até chegarmos à estação final, ou alguém reclamasse o lugar, sacudindo-nos pelos ombros. Então nos levantávamos com a desculpa de sempre:
 
– É que chegamos de tão longe!
 
Também gostamos de conversar durante as sessões de cinema, com as crianças fingindo que não compreendiam a cena mais boba:
 
– Painho, pode me explicar? O que aconteceu, mainha? Ele morreu?
 
E, minha mulher, quase gritando:
 
– Quem já viu artista morrer, e ainda mais no meio do filme?!
 
Júbilo maior era sermos postos para fora da sala de concertos. Nesses episódios, procedíamos assim: sentávamos todos circunspectos e, no momento de maior atenção respeitosa à orquestra sinfônica, ou ao quarteto de câmera, mesmo conhecendo a música clássica, suas nuanças e pausas abruptas que enganam os leigos, prorrompíamos em palmas escandalosas, como se estivéssemos nas arquibancadas lotadas de um estádio de futebol.
 
Eram esses tipos de diversão que faziam a nossa família feliz.
De volta à casa, reiniciávamos as brincadeiras gastronômicas. Por falar em comida, na semana passada morreram o professor vegano e a dona do restaurante vegetariano da esquina.
 
Oh, vida cruel!

VIVER OU MORRER EM BRASÍLIA – Em As Margens do Paraíso, Lima Trindade fez um romance de formação numa cidade também em construção abril 4, 2019

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Brasiliense  radicado em Salvador, Lima Trindade fez um tributo à terra natal. Foto: Marcelo Frazão.

 

O bildungsroman é um termo da crítica literária alemã para designar o romance de formação, em geral o relato do itinerário, quase nunca ameno, de um jovem para a idade adulta ou até, nos casos mais sofridos, para a maturidade precoce. O exemplo clássico deste tipo de narrativa é o romance Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de Goethe. O inglês Charles Dickens foi outro mestre das histórias em que o caráter do personagem vai sendo, aos poucos, plasmado diante do leitor, em obras como Grandes Esperanças, David Cooperfield e Oliver Twist.

No Brasil, o paraibano José Lins do Rêgo escreveu uma trilogia de formação que abarca os romances Menino de Engenho, Doidinho e Banguê nos quais o menino Carlinhos salta de moleque solto na bagaceira, para o adolescente de colégio interno, e o homem já feito. O baiano Jorge Amado também cultivou o bildungsroman nos duros aprendizados de Antônio Balduíno (Jubiabá), e Pedro Bala (Capitães da Areia).

O escritor brasiliense Lima Trindade, radicado em Salvador há duas décadas, acaba de dar uma importante contribuição ao bildungsroman brasileiro, com o polifônico As Margens do Paraíso. Trata-se de um romance de formação – a busca material e existencial de três jovens – que se passa numa cidade também em construção, Brasília. No romance de Lima Trindade, forçados pelas circunstâncias, o ambicioso Zaqueu, o idealista Rubem e a sofrida Leda acabam se cruzando na futura capital do país que está sendo construída no deserto do Planalto Central. Na primeira parte do livro, as histórias são narradas por cada um dos três personagens. Daí o seu caráter polifônico. Na segunda parte do romance, há um narrador onisciente, maestro a reger habilmente a polifonia anterior. E depois, Mauro, outro personagem de destaque, se encarrega de encerrar a polifonia de vozes, com a sonoplastia ruidosa de uma Brasília que está sendo inaugurada:

Os fogos coloremo céu. Os estrondos são seguidos de gritos de surpresa e espanto. Crianças batem palmas, sacolejam bandeiras de papel. Adultos contêm o choro, esfregam os olhos avermelhados e, no outro segundo, já sorriem da mesma forma que o seu irmão desconhecido a acompanhar-lhes o passo firme, a lhes apertar , saudá-los e congratulá-los pelo feito. Em menos de quatro anos levantou-se do chão uma cidade.

TRIBUTO A UMA CIDADE

candango

“Quem construiu a Tebas de sete portas?” Bertolt Brecht.

Zaqueu mora em Anápolis (GO), sonha com a carreira política e, depois da perda trágica de um amigo (o tímido e sensível Sílvio), impõe-se o desafio de superar o pai, um médio empresário envolvido em falcatruas, como licitações fraudulentas e direcionadas. Rubem é um jovem pobre do Rio de Janeiro, em busca de um objetivo na vida. Depois de duas decepções amorosas resolve atender ao aceno de um primo para se mudar para a futura capital, em fase de construção, a toque de caixa, no distante cerrado. Leda é uma menina pobre e sonhadora de Juazeiro, na Bahia, abandonada pelos pais, e empregada doméstica explorada pela fútil mulher do padrinho.

No destino dos três jovens, a Brasília em construção soa como o canto da sereia, a chance de mudar de vida, o futuro luminoso pela frente. As Margens do Paraíso reúne um elenco de personagens fictícios e reais, com referências a Juscelino Kubitschek, o idealizador de Brasília, Israel Pinheiro, o político experiente que dirigiu a construção da cidade como um grande capataz; Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, os arquitetos que projetaram a nova capital do país, e, é claro, os anônimos candangos, os peões que ergueram a cidade. Todos se deixaram contaminar pelo otimismo dos anos JK que prometiam avançar 50 anos em apenas cinco anos de um governo impulsionado pela saga desenvolvimentista e embalado pela emergente Bossa Nova.

As Margens do Paraíso começa em 1958 e termina com a inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960. Misturando política e documento histórico, o romance de Lima Trindade se passa num tempo de fé e esperança num Brasil novo que, infelizmente, quase seis décadas depois, não somente deixou de se concretizar como parece querer, na contramão dos anos JK, regredir 50 anos em cinco. É também um tributo a uma cidade que, depois de inaugurada, deixou muita gente não às margens e sim bem distante do paraíso. Com o agravante de que, em pouco mais de meio século, uma minoria parasitária, ociosa e privilegiada vem se revezando, ao locupletar-se com o dinheiro público e chafurdar no vício e na corrupção.

Sobre os que, empregando expedientes escusos, se deram bem antes, durante e depois da construção da nova capital, divagou um personagem de As Margens do Paraíso, que jogou às favas quaisquer escrúpulos de consciência, como, aliás, já fizera um ministro da ditadura militar, ao defender a edição do AI-5:

Sua grande descoberta nos últimos meses vividos era que não havia justiça no mundo. As recompensas pelo bem e pelo mal causados não se distinguiam em nada uma da outra. Um jovem sonhador era facilmente conduzido ao laço da forca no mesmo patético instante em que um tirano familiar sorvia o seu uísque e desfrutava o prazer de fumar um cigarro. Era assim a justiça divina, assim se organizava o mundo. Então, para que sofrer inutilmente?

Passados 59 anos da inauguração, Brasília continua cheia margens. A maioria não leva a lugar algum. Outras conduzem ao paraíso, inclusive o fiscal.

LAJEDO março 21, 2019

Posted by eliesercesar in Poesia.
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De vez em quando, é bom
não pensar em nada.
Aí vem uma leveza.
Melhor no começo da manhã,
logo cedo.
Como quem vê um calango.

Apenas um calango, no lajedo.