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ESTILO setembro 15, 2017

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vento 2

Não ter estômago
para as pedras das palavras.

Escrever (com ou sem acento),
com o giz do vento.

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EU PROFUNDO E OUTROS EUS setembro 4, 2017

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fernando-pessoa

Quantos sou na manhã, na tarde,

na noite e na madrugada?

Quantos de mim sou eu mesmo?

CALENDÁRIO setembro 1, 2017

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o-tempo-voa

Entre a paciência da morte
e a avidez da vida,
mais um dia.

PAUTA setembro 1, 2017

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peixe

Histórias de superação
(um triunfo entre muitos ais)
servem muito aos jornais.

Em nossa era,
a humanidade não se supera.

RIO agosto 22, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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rio

Há vidas que não têm divisor de águas,
previsíveis e estagnadas,
duras e sem rupturas,
como um rio que não deságua.

ROSTO NO ESPELHO agosto 4, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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I

 

O Rosto no espelho

No espelho, vejo o rosto de meu pai.

Ou será o meu?

Tanto faz!

 

II

Pois lhe digo:

Vejo um rosto antigo.

III

Com os olhos baços,

e a alma transida,

o que vejo é uma forma

(até então desconhecida),

de cansaço.

ENTRE FLORES agosto 3, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Flores

Quero morrer sossegado de amores,

sem dissabores, e (quiçá) sem dores.

E, se não puder apascentado,

pelo menos, em paz, sentado

e entre flores.

BENS DURÁVEIS julho 27, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Galinha

Um pé de manga nascendo no quintal,
um prato de comida quase sem sal,
um pavão todo depenado,
um paletó com o bolso furado,
uma galinha d’Angola,
um pássaro fora da gaiola,
uma cachorro, um gato e uma lebre,
38,6 graus de febre,
uma música distante e noturna.

E ainda querem tomar ninha fortuna…

 

 

AUTO-DE-FÉ DE PERPLEXIDADE julho 4, 2017

Posted by eliesercesar in Resenhas.
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Vaca

Em Vaca de Nariz Sutil, o mineiro Campos de Carvalho faz a expiação de um neurótico de guerra.

Há quem compare o escritor mineiro Campos de Carvalho (1916-1998) há Edgar Allan Poe, pelo aspecto sombrio da obra, e a Henry Miller, pela iconoclastia  sem peias. Creio que a comparação mais próxima seria com o francês Louis-Ferdinand Celine, o Celine de Viagem ao fim da noite, pelo niilismo visceral, o desnudamento cru da condição humana e um certo existencialismo misantropo, contidos, por exemplo, em Vaca de nariz sutil.

Neste livro de 1961, o personagem destila sua neurose de guerra, sua antipatia pelos semelhantes, sua cicatriz cruel de sobrevivente dilacerado, seus traumas e recalques, com o mesmo prazer mórbido com que os iconoclastas destruíam as imagens sagradas. Nas memórias e reflexões que chama, acertadamente, de “auto-de-fé de perplexidade” – a perplexidade sem trérgua da condição humana – o narrador sem nome não poupa nem a si mesmo, ou, principalmente, a si mesmo:  “Um monstro Eu, ou quem me fez? ”. Enfim, um anti-herói, um outsider que carrega “o diploma de esquizofrênico no bolso junto com uma medalha de ouro”. (mais…)

OS DOIS LADOS DA VIDA junho 13, 2017

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Sem Pressa

I

Hei de decidir sobre
os dois lados da vida.
Um desiste;
outro persiste.
Um é alegre,
outro, triste.
São mesmo assim
os dois lados da vida.

II

Sei o meu.