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O TRONO DO DESENGANADO – FINAL junho 10, 2018

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Aloendra gostava de olhar o homem de boa aparência que parecia não dar mais nenhuma importância ao mundo. Ela não tinha pais. Era criada pela avó, bastante velha para vigiar os seus passos. Podia ficar na praça até as onze da noite, quando a avó começava a chamá-la para espantar os maus espíritos de sua imaginação decrépita. Belisário parecia não notar a companhia da adolescente. Tampouco a beleza dela, ainda não consolidada, chamava-lhe a atenção.

Outubro os alcançou juntos. Carregando sempre a “Revista Geográfica”, Aloendra sentava-se todas as noites com Belisário.

Tina temia que Rosalina aparecesse no “Dia dos Mortos”. Ela acreditava que as pessoas sumidas quando aparecem no “Dia dos Mortos” surgem apenas para anunciar que já não pertencem ao mundo dos vivos. Era com apreensão que a cozinheira via aproximar-se o segundo dia de novembro. Como saber se Belisário resistiria à cruel revelação? — perguntava-se Tina. (mais…)

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O TRONO DO DESENGANADO* 2 junho 8, 2018

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“Amar é temer a si nas horas cruas”

Antônio Brasileiro

        

         PARTE II

 

Em junho, um jovem psiquiatra vindo da capital para recuperar-se em casa de parentes de uma estafa, interessou-se por Belisário. Empolgado com o caso do homem, praticamente da idade dele, exilado numa cadeira de balanço, o especialista passou a observar Belisário com atenção cientifica. Tina já havia desamarrado a cadeira da árvore e o patrão podia balançar-se livremente.

Belisário não se incomodou com a observação do psiquiatra. Não ligou para as fotografias que o médico  tirava. Olhava a objetiva (apontada para o seu rosto, como uma arma prestes a disparar), insensível e imóvel como um morto que teimava em manter uma precária ligação com o mundo.

Após alguns dias de observação, o psiquiatra concluiu que poderia comunicar-se com Belisário, se também colocasse uma cadeira de balanço debaixo da mesma árvore e passasse a se balançar da mesma forma que ele. Arranjou a cadeira e, à noite, sentou-se diante de Belisário, imitando os seus gestos; impulsos necessários para fazer a cadeira balançar. (mais…)

O TRONO DO DESENGANADO* 1 junho 7, 2018

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Amar é temer a si nas horas cruas”

Antônio Brasileiro

PARTE I

Quando Rosalina partiu, Belisário colocou a cadeira debaixo da árvore. Tinha pouco mais de trinta anos. Sua expressão era de boi impassível. Sabia que Rosalina voltaria; sabia que os ventos de maio ou as tempestades de areia de agosto a trariam de volta.

Tina, a cozinheira, não compreendeu o motivo que o fez balançar-se na cadeira, diante da eterna paisagem: ruas iguais batidas pela poeira sufocante. Pensou que ele deixaria a cadeira para almoçar. No final da tarde, cansada de esperá-lo à mesa, levou-lhe o almoço.

Belisário permanecia no mesmo lugar, indiferente, inclusive, às grandes moscas que pousavam em seu nariz e espalhavam-se pelo povoado. Petiscou a comida e deixou-a de lado. Um vira-lata comeu todo o resto deixado no prato.

Belisário voltará para dentro de casa na hora de dormir”, pensou Tina.

No começo da manhã, trouxe-lhe o café. Ele bebeu um pouco, despejando o resto no chão.

Padre Feitosa olhou, intrigado, o homem na cadeira. Passava para a missa das seis e parou para cumprimentar Belisário; perguntou-lhe se havia algum problema, mas não obteve resposta. Repetiu a pergunta e Belisário continuou calado. Por fim, temendo chegar atrasado para a missa, o sacerdote retomou o caminho da igreja, frustrado em ver desperdiçada, logo no começo do dia, sua boa vontade profissional. (mais…)

SETE A UM, O LIVRO DA VIRADA abril 29, 2018

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Quatro anos depois, em coletânea de contos, sete brasileiros e um alemão revisitam a histórica goleada da Alemanha sobre o Brasil, na Copa do Mundo de 2014.

Quatro anos depois da humilhante derrota da Seleção Brasileira, por 7 a 1, diante da Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, em pleno Mineirão, em Belo Horizonte, sete contistas brasileiros e um alemão entraram em campo para revisitar aquele jogo histórico. O resultado é a coletânea Sete a um, que será lançada no próximo sábado (dia 5), das 15 às 19:30, na Biblioteca do Instituto Goethe, no começo do Corredor da Vitória, em Salvador. Replay de um jogo inesquecível? Muito mais do que isso, já que cada autor reconta a partida do seu jeito, e a ficção permite distorcer e até modificar a realidade.
(mais…)

REZA DE SÃO FRANCISCO abril 19, 2018

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Cansei dos homens
(carrapichos).
Vou viver com os bichos.

INFÂNCIA abril 19, 2018

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Para Dona Bete, em algum lugar das estrelas.

Quando eu fiz dez anos, pensei: 
mãe vai fazer um bolo para mim.
Quando fiz vinte anos, pensei:
os colegas vão fazer um bolo para mim.
Quando fiz trinta anos, pensei:
meus irmãos vão fazer um bolo para mim.
Quando fiz quarenta anos, pensei:
meu amor, fará um bolo para mim.
Quando eu fiz…

Bem antes,
um menino viu uma senhora
cobrir de glacê a pequena humanidade.

SUCATAS março 8, 2018

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Não foi a geladeira,
Nem a máquina de lavar.
Foi uma canseira,
(Meu anjo),
De um arranjo
Que se chama lar.

ELIESER CESAR LANÇA CIRANDA DE MARIA CECÍLIA março 8, 2018

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– Segundo livro de poesia do escritor e jornalista será lançado em 22 de março, no Mercado do Rio Vermelho.

Vinte anos depois de Os Cadernos de Fernando Infante, o escritor e jornalista Elieser Cesar lança, no próximo dia 22, a partir das 17 horas, na Bar e Restaurante do Edinho, no Mercado do Rio Vermelho (antiga Ceasinha da Chapada), em Salvador, o seu segundo livro de poesia, Ciranda de Maria de Cecília. Publicado pelo selo Candeeiro, da editora Penalux, o livro reúne poemas escritos durante duas décadas, a maioria já publicada no blog do autor – Salve,Cesar (www.eliesercesar.wordpress.com).

De lá para cá, Elieser Cesar publicou livros de prosa, dentre eles A Garota do Outdoor (contos), A Guerreira da Lapinha (novela), e O Romance dos Excluídos – Terra e Política em Euclides Neto (ensaio, fruto de sua tese de mestrado, no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia). Participou de antologias e coletâneas, como As Baianas e 82: Uma Copa , Quinze Histórias, ambas publicadas pela Casarão do Verbo, e A Poesia Baiana no Século XX, antologia organizada por Assis Brasil e publicada em 1999. Em 2013, venceu o Prêmio Damário Dacruz de Poesia, instituído pela Fundação Pedro Calmon (Secult-BA). Como jornalista ganhou mais de dez prêmios de reportagem. Foi ainda premiado como contista. (mais…)

AO LESTE DO ÉDEN fevereiro 26, 2018

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Não ter feito nada que preste.
Eis uma peste.

EM KANDAHAR janeiro 29, 2018

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Um dia, vou mudar.

Nem que seja para Kandahar.