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ALBATROZ LÍRICO – Em O príncipe das nuvens, Ruy Espinheira Filho se inspira na vida errática do poeta Carlos Anísio Melhor. setembro 26, 2016

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principe-das-nuvens-ruy

De vez em quando, eu via o poeta, mas nunca me aproximei dele, devido, talvez, àquela timidez boba e cativante dos jovens. Os cabelos desalinhados, o bigode um grande pente entre o nariz e a boca, ao estilo Nietzsche, os óculos com grossas lentes míope indefeso, ele almoçava num pequeno restaurante dos Barris, em meados dos anos 80. Alcoólatra, com passagens por sanatórios, tinha portanto, uma áurea de maldito, se é que algum poeta, por mais trágica que tenha sido sua vida e por mais dilacerante que seja a sua obra, possa ser chamado de maldito, como, de resto, não parece  maldito um anjo que arde no inferno de sua própria luz.

Para mim (apenas pelo que ouvia falar) ele passou a se assemelhar a um daqueles personagens inesquecíveis de Dostoiévski, com a alma ao mesmo tempo estilhaçada e iluminada. Cheguei a ter um livro de poemas dele (se não me engano, o único publicado), hoje em minha segunda biblioteca, aquela que temos na rua, perdida nas mudanças de endereço e nos empréstimos sem volta. Sua poesia fortemente dramática causara-me funda impressão, como estes versos:

Amor, amor, amor em que trágico cotidiano tu morreste. (mais…)

ALTERIDADE setembro 21, 2016

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guarda-chuva

Há os cegos e os iluminados;

os completos e os aleijados;

os destros e os canhotos.

A soma de cada um são os outros.

CHÃO ANCESTRAL – Em O chão que em mim se move, Carlos Barbosa retorna ao condado mítico de sua ficção. setembro 21, 2016

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A exemplo de William Faulkner, com o condado de Yoknapatawpha, Gabriel Garcia Márquez e sua  Macondo, Juan Rulfo e Comala, Juan Carlos Onetti e Santa Maria, o brasileiro Vicente Cecim, e Andara e  tantos outros lugares, reais ou fictícios, o escritor baiano Carlos Barbosa também tem, delimitada na carne e na alma, o seu atávico território literário: Bendiá, Bom Jardim, Ibotirama e, de modo mais amplo e fluvial, como um escrita que invade os afluentes  da memória, o rio São Francisco, o Velho Chico no qual navegam uma triste dama e uma esquadra de histórias já  contadas e ainda por contar.

O terreno do autor dos romances A Dama do Velho Chico (2002) e Beira de Rio, Correnteza (2009), tributário das águas imemoriais do rio dos sertanejos, é o chão mítico de sua infância, vivida em Ibotirama e resgatada por um ficção fluvial no estilo (pois corre leve e solta, como as águas tranquilas) e , por vezes, revolta no conteúdo (como os redemoinhos da existência, nos quais muitos personagens acabam inapelavelmente tragados) (mais…)

POEMINHA ZEN setembro 9, 2016

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avida

Ávida?

Não.

A vida.

 

PROFETA DA DERROTA setembro 9, 2016

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– Em Caçada Russa e outros relatos, seu livro de estreia, Flávio VM Costa apresenta um mostruário de seres fracassados.

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Os personagens fracassados, resvalando no limbo da existência ou mesmo chafurdando nele, marginais, sem perspectiva de vida, conformados ou impelidos por uma revolta impotente, alguns seguindo adiante com uma espécie de resignação estóica, fazem do jornalista baiano Flávio VM Costa, em seu livro de estreia, Caçada Russa e outros relatos, o profeta da derrota. Como Elefantião, o negro submetido à tirania da avó no melhor dos 13 contos do livro, “Quatro vidas de Sebastian”, definido pelo seu criador pelo inexorável epiteto.

Na orelha do livro, lançado recentemente pela editora Penalux , o jornalista Claudio Leal diz, com exata pertinência, que os personagens de Flávio VM Costa lembram João Antonio e Lima Barreto, demiurgos dos excluídos. Eu acrescentaria que nos remetem também ao Mayrant Gallo de O inédito de Kafka (Cosac &Naify, 2003), pela derrocada iminente de seus seres de papel e espírito vital.  As criaturas de Caçada Russa e outros relatos são joguetes impelidos, pelo destino cruel e inevitável, para o derrotismo, sopradas ao léu pelos ventos traiçoeiros do desastre individual, e coletivo (o egoísmo e a mesquinhez do mundo). (mais…)

REBELDIA agosto 19, 2016

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MÃO

Na chuva ou no estio,

criar é um ato arredio.

PASSOS agosto 17, 2016

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pASSOS
É assim que se caminha direito:
vá para frente, siga adiante;
o que foi feito já foi feito;
melhor,agora, do que antes.

MURO agosto 17, 2016

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mURO

Todos, temos um muro,
sólido, indestrutível,
pronto e acabado.

Quando, enfim,
saltaremos para o outro lado?

BOMBONIERE agosto 12, 2016

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Balas

Nós oferecemos o pescoço,

e o mundo o cutelo.

Era mais amena a vida,

quando havia a bala  Soft,

caramelo.

SEM PRESSA agosto 8, 2016

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Sem Pressa

Caminha assim o talento:

fugaz, rápido;

duradouro,  lento.