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ÉDIPO CAATINGUEIRO – Em O homem da lupara amarela, Alfredo Gonçalves de Lima Neto se inspira em Sófocles para criar uma tragédia no sertão. abril 1, 2017

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Lupara

Em companhia de um amigo, um rapaz viaja para Crato, no sertão do Ceará, para conhecer a festa do padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço dos devotos nordestinos. Lá, ouve de uma cigana a terrível profecia: “Estás fadado a deitares com tua mãe e também a matares o teu pai! ”. Até então de boa índole, o jovem se assusta. Volta para casa, mas não consegue esquecer a previsão da mulher. Teria o vaticínio a mesma força, inelutável e cega, que rege o destino fechado dos heróis caídos da tragédia grega?

A resposta está no romance O homem da lupara amarela do escritor Alfredo Gonçalves de Lima Neto, médico nascido em Salvador e radicado em Valença, no baixo sul da Bahia., que transplanta para o sertão baiano o cerne da desdita de Édipo Rei, a mais conhecida tragédia de Sófocles (496 ou 494 a.C – 406 a.C). (mais…)

EUREKA março 28, 2017

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eureka

I

Não se debata procurando o poema.
Não fique triste.
Tem certeza que ele existe?

II

Não se debata procurando o poema,
Se não veio, a culpa não foi dele.
Se desejar, arranque os cabelos.
Ou, então: espere, espere.

III

Quem sabe um dia,
você poderá dizer: Eureca?!
Então, enfim, já fez o seu poema
e também ficou careca.

BRASIL março 28, 2017

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Chora, Brasil.

Lutamos pelo pão,
pelo sim e o não,
pela terra e a nação.

Lutamos pela clareza,
jamais pela escuridão.

E, no entanto, (faz sentido?),
ficamos num ponto indefinido
entre a esperança e a decepção.

O TÚMULO DE MEU PAI março 3, 2017

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folha

I

Revi o túmulo de meu pai
(1918-1989, difícil aritmética).

II

Revi o túmulo de meu pai.
Então, achei a vida breve,
como a folha amarelinha,
eterna e breve,
que caiu sobre o túmulo de meu pai.

Tucano, Bahia, 27-02-2017

TROPEÇO fevereiro 20, 2017

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pedra

Siga no caminho da retidão.
O mundo é claro,
mas também escuridão.

Um passo em falso,
não é só um passo.

DRACMA fevereiro 16, 2017

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nica

Pois, tenho o nome de César,

e, a César, devolvo a vil moeda.

Não sou imperador.

Sou poeta!

ALMAS MORTAS – Em As Feras, o argentino Roberto Artl, dente outas histórias, faz a radiografia de um escritor fracassado. janeiro 28, 2017

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as-feras

Poucas histórias desnudaram tão cruamente o egocentrismo mesquinho da criação e os embustes da crítica literárias como o conto O escritor fracassado, um dos oito relatos de As Feras, do escritor argentino Roberto Arlt. É história de um jovem e promissor escritor, incensado pela crítica, admirado e invejado por seus pares, que publica um livro de sucesso, que, depois da estreia bem-sucedida, sucumbe à mais absoluta esterilidade, sendo, doravante, incapaz de escrever uma linha que preste.

A angústia da criação bloqueada leva o rapaz à autocomplacência de acreditar que está passando por um período passageiro, ao final do qual brotarão as grandes obras gestadas na aflição e no sofrimento. Ele chega a encontrar um álibi para a sua inatividade: já não escreve  com a facilidade de  antes porque o seu grau de exigência aumentara:

Se eu não produzia como certos escrevinhadores alcunhados de coelhos ou moços de recados da literatura, era porque estava ficando exigente. Isso mesmo. E a exigência bem entendida começa em casa. Nada de produzir a rodo sem quê nem porquê.; nada de sem derramar, nem de trabalhar dia e noite e noite e dia, nem de infestar os jornais com a assinatura. Isso não era digno de um escritor que se preze.

– Amigos – perorava enfático, – Amigos, temos que ser um pouco exigentes, conservar o pudor da assinatura. (mais…)

PÁGINAS EM BRANCO DA HISTÓRIA janeiro 28, 2017

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rapto-das-sabinas

I

O que escreveremos nas páginas em branco da História,

oferecidas a cada geração após a outra?

Guerras, cataclismos, genocídios, revoluções,

as descobertas  das ciências e os feitos  das artes,

as estratégias dos grandes generais,

a expansão do império por um poderoso rei,

o surgimento de um novo planeta

e a extinção de uma estrela,

escreveremos nas páginas em branco da História?

II

O florescer de uma orquídea entre os charcos,

a  luta de uma criança asmática por um pouco mais de ar,

a borboleta que milagrosamente escapou

da rede do caçador de borboletas,

o  passarinho alimentando os filhotes, no ninho,

o amor irrealizável de dois corações tímidos,

o último suspiro de um moribundo

que não deixou de amar o mundo.

Tudo isso e muito mais

(o vento que vem e a chuva que cai),

escreveremos nas páginas em branco da História.

 

CARONTE janeiro 24, 2017

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caronte

Era uma decisão de vida ou morte.
Então pensei:
com um pouco de sorte,
não pegarei esse transporte.

ENGODO janeiro 22, 2017

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corvo1 

Não é  canário,

e come alpiste.

Que  triste!