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REFELXO outubro 4, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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A vida é como um espelho.

em que você se olha.

E depois decide, se

fica na parte de dentro,

ou continua do lado de fora.

REBOCO outubro 4, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Como uma casa, cada um

vai construindo a vida.

Um tijolo por cima do outro,

uma telha aqui e outra acolá.

O cimento, a pá, a cal,

a pintura na parede,

o quintal, a varanda e o jardim.

Por último, (já quase no fim)

os armadores e a rede.

Assim como uma casa,

cada um vai construindo a vida;

pouco a pouco.

A alma é o reboco.

BOMBA-RELÓGIO DA MENTE julho 30, 2020

Posted by eliesercesar in Artigos.
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– Como explodem as manifestações do Transtorno Afetivo Bipolar, em suas fases depressiva e maníaca.

Padecer de Transtorno Afetivo Bipolar é carregar na mente uma bomba-relógio que vai explodir, com potencial para causar muitos danos, pessoais e colaterais. A doença se apresenta em duas manifestações: a fase depressiva, na qual o paciente murcha numa letargia que o imobiliza para os prazeres da vida, exibindo uma tristeza profunda e impulsos suicidas, quando não tentam ou conseguem, de fato, cometer o suicídio; e a etapa mais visível, a maníaca, quando manifesta uma euforia despropositada, irritabilidade, comportamento irascível, impaciência, delírios de perseguição e violência, aumento da libido   que o leva a relacionamentos precipitados, inclusive com pessoas que em circunstâncias normais  não lhe despertariam muito interesse, dentre outras atitudes patológicas.

É o paroxismo da doença, quando todas as amarras parecem se romper e as virtudes se negarem. O resultado disso são danos, muitas vezes irreversíveis, causados à família e a pessoas que o doente ama, rompendo as fronteiras pessoais e interpessoais, como a vida privada e o trabalho. Na fase depressiva o perigo é maior para pessoa que sofre do Transtorno Bipolar. Na maníaca quem estiver à volta dela pode ser atingido pelos estilhados passionais de quem não é mais capaz de controlar a própria impulsividade. Daí o termo “bipolar”. Até 1980, a enfermidade era conhecida como Psicose Maníaco-Depressiva (PMN), quando o termo foi substituído pela DSM (Manual diagnóstico e estatístico dos Distúrbios mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatra). (mais…)

IDEOLOGIA julho 22, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Há socialista, fascista,
sambista, jazzista,
egoísta, altruísta,
materialista e mediúnico.
Para a morte e sua lista,
todo homem é único.

FOLHA julho 21, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Uma folha improvável
caiu na minha sala.
Venceu seis andares,
evitou outros lares,
e veio cair na minha sala.
Muitos (com descaso) dirão:
“foi mero acaso”.
Pode até ter sido,
mas sua presença
me deixou assim: amanhecido.
Foi uma folha alada,
tênue e desgarrada,
enviada pelo vento;
uma simples folha,
verde alento.

PORQUE NÃO SOU ESTE CRISTÃO março 12, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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(Lembrando Bertrand Russel).

Um país cristão em que
parece proibida a compaixão.
Um país cristão em que os crentes fazem arminha com a mão.
Um país cristão em que se nega o pão.
Um país cristão que se prega a segregação.
E quase não se diz sim,
mas, frequetemente, não.
Um país cristão em que se rouba,
o pai, a mãe, o filho e o irmão,
em que, em cada esquina,
espreita uma traição.
Um país cristão em que se acende
uma vela para o santo
e duas para o cão.

Não! Não são cristãos
(pelo menos sãos).
São manipulados, insisto.
É de vocês. Nunca foi meu
este Cristo.

FECHADO PARA BALANÇO março 11, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Se você se sente como um armazém de secos e molhados
– seco por dentro, molhado por fora –
fique aí mesmo,
não se vá, por aí, embora.
Feche-se para balanço,
que, um dia, passa esse ranço.

UM ANJO março 9, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Ando lado a lado,
com você que caminha desolado,
e, compassivo, lhe digo:
escape, escape, vamos, escape!
Nem que seja por um triz.

Quem foi mesmo que disse
que é bom ser infeliz?

AS MUSAS E OS FALSOS POETAS março 9, 2020

Posted by eliesercesar in Sem categoria.
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Vinde, poetas ruins!
Vinde, escritores sofríveis!
Vinde, os que escrevem com os rins!
Vinde, textos desprezíveis!

São todos benvindos ao banquete.
Vinde, em fila indiana,
com sua mensagem cacete
e insípida como banana.

Vinde, oh, desgarrados siameses,
que se esforçam meses a meses,
para escrever uma linha,
inferior a um grão de farinha.

Vinde, pressurosos e afoitos,
como trêfegos adolescentes!
Melhor se entregarem aos coitos
do que a estéticas indigentes.

Vinde, inspiração buscar,
pois de vocês temos dó.
Desde que passaram a criar,
nós, Musas, os deixamos sós.

ORAÇÃO PARA ADIAR A MORTE março 9, 2020

Posted by eliesercesar in Poesia.
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Segue distante de mim, morte precoce!
Caminhei muito, é verdade
(não se pode negar na minha idade),
mas ainda não cheguei ao fim.
Portanto, permaneça longe de mim.
Não lhe quero bem e muitos menos mal.
Então, leve a outro a sua visita fatal.

Logo ali, bem na sua frente,
tem um cidadão indiferente.
É um homem doente e sem sorte.
Para ele, estar aqui, tantos faz.
Portanto, me esqueça
(tenho ainda espírito de rapaz).
Vai buscá-lo. De bom grado,
ele a acolherá como última consorte.

E, depois, saciada a colheita neste terreno,
parta para bem longe,
como um viajante sereno.
Leve sua exígua mortalha
para a França, a Inglaterra,
(vá, peste!), para o Timor Leste,
a Romênia, a Checênia ou Itália.
Mas, fique longe de mim.
Se calhar, vá para os Estados Unidos,
a China, a Rússia, a Turquia,
Oh noiva da noite e fugitiva do dia!

(Poupe a África, lá já ceifaste demais,
emissária de Satanás.)
Dê muitas voltas no mundo,
a pé, de barco, avião e bicicleta,
e só retorne, verme atleta,
quando minha mente estiver,
irremediavelmente, inqueita.

Estarei lhe esperando, andarilha nefasta,
para, novamente dizer: volte,
e não retorne tão cedo. Basta!
Vá para bem distante, irmã da escuridão.
Não há só este caminho. Há outro chão.

Parta tranquila, oh presença intranquila!
Segue, sem mim, o seu caminho,
todo um tenenbroso espinho,
que eu mesmo hei de chamá-la,
oh derradeira e inútil mala!

Tenha paciência, que eu mesmo hei de convocá-la,
mas só no último inadiável e estelar instante,
oh, insaciável bacante!

E, você, mãe dos que se foram,
há de me embalar e recitar um verso,
em louvor à uma criança,
renascida para a eternidade
e já embalada pelo universo.