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LIVRO MALDITO – Reedição de “Mein Kampf” (“Minha Luta”), livro-panfleto do nazismo, que cai em domínio público em 2016, provoca polêmica no mercado editorial. dezembro 8, 2015

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Uma polêmica que remete o leitor ao símbolo da suástica e à barbárie do nazismo divide o mercado editorial de vários países, inclusive o Brasil e, principalmente, a Alemanha: vale à pena reeditar o livro Mein Kampf (Minha Luta), de Adolpf Hitler, misto de autobiografia e panfleto antissemita, considerado a “Bíblia do Nazismo”? Em 2016, 70 anos após a morre do Fuhrer , o livro cai em domínio público e poderá ser relançado por qualquer editora do mundo.

Hoje, esses direitos estão em poder do Estado da Baviera, já que Hitler não teve filhos e a editoria que publicava suas diatribes, a Franz Eher Nachfolger GmbH foi extinta após a Segunda Guerra, por lançar também romances engajados do nazismo e calendários para o partido nazista, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que de socialista não tinha nada.

Após o fim da editora, o governo da Baviera desautorizou quaisquer publicar do livro, o que não valerá a partir do próximo ano. Com a futura liberação editorial, veio também a pergunta carregada de matiz ideológico: você publicaria o livro de Hitler? Indagação que pode ser ampliada para: Você compraria o livro de Hitler? Ou ainda, uma vez que comprar não significa necessariamente ler: Você leria o livro de Hitler? (mais…)

A VEZ EM QUE CONHECI DARCY RIBEIRO outubro 18, 2015

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Darcy Ribeiro faz palestra, na 33ª reunião anual da SPBC, em 1981, em Salvador.

Darcy Ribeiro faz palestra, na 33ª reunião anual da SPBC, em 1981, em Salvador.

Era o ano de 1981. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizava, em Salvador, a sua 33ª reunião anual. No Pavilhão de Aulas da Federação da UFBA fora montado um circo para as palestras e shows, uma novidade lúdica, como todo circo, para um evento científico e uma forma de popularizar a ciência, aproximando-a dos estudantes, como eu. Naquela tarde, seria realizada a palestra mais aguardada de todas, a de Darcy Ribeiro, anistiado há dois anos pela ditadura militar que tanto combatera e um dos últimos auxiliares do presidente deposto, João Goulart, a deixar o país, num pequeno avião, ao lado de Waldir Pires.

“Hoje é o dia de Darcy Ribeiro”, comentava-se à boca pequena, com a mesma ansiedade com que se aguarda a apresentação de um pop-star. E Darcy Ribeiro era, realmente, um pop-star, da cultura e da brasilidade. Cheguei cedo e logo em aboletei no “galinheiro”, próximo à abertura de entrada da lona, com a sensação de que assistiria a mais um espetáculo dos circos mambembes das pequenas cidades que, na infância e adolescência, apelidávamos de “tomara-que-não-chova”, pelo estado deplorável da lona, mais para queijo suíço. Mas, para a gente, meninos no interior,  o Circo de Moscou da nossa aldeia. (mais…)

PADRE VERMELHO, VERDE…PLURAL. setembro 28, 2015

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PASTOR DOS MAIS POBRES, JOSÉ KOOPMANS É HOMENAGEADO EM LIVRO, QUATRO DEPOIS DE SUA MORTE.

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Ele nasceu na pequena cidade de Kampen, na Holanda, no dia em que o exército de Adolf Hitler invadiu a Polônia – 1º de setembro de 1939 – deflagrando a Segunda Guerra Mundial que deixaria cerca de 20 milhões de mortos. Mas o destino do pequeno Joop (José em holandês) e de seu irmão gêmeo Huub (diminutivo de Humberto, na mesma língua) seria a defesa da paz e do amor ao próximo. A caridade era um traço familiar. O pai foi membro da Sociedade de São Vicente em Kampen, de assistência a famílias pobres. A mãe morreu no parto. Os gêmeos foram criados com um casal de tios, afastados do mais velho, Jan, até que o pai contraísse novas núpcias. Huumb se tornou professor de Educação Física. Joob estudou Teologia em Viena, na Áustria, e se ordenou padre, em 1969.
Naquele mesmo ano, Joob visitou o Brasil, na companhia de um tio, mudou-se para Itanhém, município do extremo-sul da Bahia e, dois anos depois, já com o nome de José Koopmans, ou simplesmente Padre José, era vigário da paróquia local. Naquela região, atuou por mais de 40 anos na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, até a morte em 3 de junho de 2011, decorrente de um infarto do miocárdio. Além de padre, José Koopmans foi também ambientalista, terapeuta holístico, praticante de esportes radicais e militante político do PT, partido que ajudou a fundar na região e do qual se afastou insatisfeito com a guinada centralizadora da legenda, bem antes dos escândalos que colocaram a agremiação na vala comum das instituições que traíram seus ideais.

Foi ainda um dos mais ardorosos seguidores da Teologia da Libertação. Sua paróquia itinerante foram as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), muito atuantes nos anos 70 e 80 do século passado, no campo e nas periferias das grandes cidades da América Latina. No Brasil, as CEBs foram impulsionadas por católicos como o teólogo Leonardo Boff, Frei Beto. e os bispos Dom Pedro Casaldáliga, em São Fêlix do Araguaia, Dom Hélder Câmara, em Olinda e Recife, e Dom José Rodrigues, o saudoso e combativo bispo de Juazeiro, na Bahia. Elas tiveram papel de vanguarda na organização dos trabalhadores campesinos e urbanos, até serem progressivamente esvaziadas pela onda reacionária que varreu o clero progressista com a ascensão do Papa João Paulo II, para muitos estudiosos, o Papa da reação, pelo destacado papel que desempenhou no esfacelamento das regimes socialistas do Leste Europeu.
Padre José praticou um cristianismo verdadeiramente popular – aquele que segue à risca o mandamento “amai-vos uns aos outros” – distanciando-se do conforto material da igreja para ir ao encontro do seu rebanho carente de bens materiais e sequioso pelo conforto espiritual. Por isso chegou a ser acusado de negligenciar a salvação da alma para se dedicar à satisfação (ainda que mínima) material de seu povo, como se fosse possível a vida espiritual sem o menor conforto e a mais elementar segurança, a não ser no casos dos ascetas, mas, esses são quase santos.

OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES

Como todos que abraçaram a Teologia da Libertação, Padre José fez a opção preferencial pelos pobres, desagradando aos ricos e aos poderosos que o chamavam de “Padre Vermelho”, numa alusão à uma aliança que julgavam impossível, a fé cristã com a militância política de esquerda. José tinha uma virtude eclesiástica pouco comum a um sacerdote incumbido de pregar o evangelho: convivia com amigos céticos, descrentes, agnósticos e mesmo ateus empedernidos sem cair na tentação de fazer proselitismo religioso. Sua catequese era  universal: transformar o homem, enquanto agente ativo da história, para poder transformar a sociedade. No púlpito, na cidade na roça, como um peregrino da fé e da cidadania, o padre concitava os fiéis, os trabalhadores e os camponeses à ação, no sentido sartreano do termo, a tomada de posição contra tudo aquilo que empobrece e ultraja a vida. Sartre costumava dizer se devia lutar contra todo tipo de injustiça, onde quer que ela exista. Foi o que sempre fez Padre José, pastor dos mais pobres.

Em Itanhém, o vigário, com seu grande carisma e seu jeito simples de gringo tabaréu, foi conquistando espaço nas ONGs, nos movimentos sociais e nos sindicatos de trabalhadores. No começo tropeçava no português, mas, aos poucos, foi dominando a língua e granjeando a simpatia dos segmentos mais pobres da população, onde o seu rebanho pastoral se multiplicava. Um dos seus primeiros desafios foi retirar os pelegos do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itanhém que faziam o jogo dos fazendeiros e dos latifundiários.

Não demorou a ação social de Padre José começou a dar frutos. Para lhe auxiliar nos trabalhos, ele convocou o compatriota Nicolaas Schoenmaker, o Dr. Nicolau, médico clínico e especialista em Medicina do Trabalho. Os dois trabalharam juntos de 1980 a 1988. Com o apoio de entidades filantrópicas da Áustria, Holanda e Holambra (SP), Padre José e seus seguidores criaram o primeiro Plano Agrícola de Itanhém, ainda década de 70, para fortalecer a agricultura familiar; a Escola Família Agrícola e o Centro Social. Para se aproximar ainda mais da vida do homem do campo, José Koopmans comprou um pedaço de terra no povoado de Centenário, e, nas horas de folga, roçava, capinava e fazia viveiros de mudas. Sua integração com a gente simples era total, sua fraterna intimidade com o homem do campo, completa, ao ponto do antigo Joob passar a ser chamado de “Zé da Roça”, em Itanhém e cercanias. A professora Nelcida Maria Cearon realça esta simbiose transnacional: “Zé se juntava ao povo. Era um deles, se misturava nos trabalhos, nas rezas, nas ruas, nas feiras, nas praças, sem distinção alguma, nem no jeito de se vestir, nem no jeito de morar”.

Já o Dr. Nicolau., que veio para o Brasil com a esposa Ângela, lembra que Padre José desenvolveu um trabalho muito forte nas CEBs, com cursos bíblicos, de saúde, para professores e de conscientização política. “Ele não tinha preguiça, nem medo, e, cá para nós, gostava de uma boa briga com os poderosos”. Outra virtude do religioso era a lealdade. “Ele nunca faltava a um compromisso. Mesmo com o Jipe ou o Fusca atolando nas péssimas estradas, ele chegava, quando não conluia o percurso a pé”, conta Dr. Nicolau que, em 1988, com o apoio do amigo padre, disputou (e perdeu) a Prefeitura de Itanhém, tendo como candidata a vice a professora Enelita, pelo PT.
Após a eleição, Dr. Nicolau decidiu sair de Itanhém. Em solidariedade ao amigo, o padre mudou-se para Teixeira de Freitas, onde iniciou uma nova luta, desta vez contra a indústria da celulose, que acusava de causar sérios danos ao ecossistema, avançar sobre as terras agricultáveis, para plantar eucalipto, ocupar as pequenas propriedades, provocando o êxodo rural e explorar os trabalhadores. No mesmo município, em 1988, o religioso disputou uma vaga de deputado estadual, pelo PT, e obteve 14 mil votos, insuficiente para a sua eleição.

Na luta contra o monopólio da celulose, Padre José escreveu o livro-denúncia Além do eucalipto: o papel do extremo sul (Salvador: BDA, 1997). O capítulo Para onde irá o Extremo sul?, abriga uma síntese de seu credo social: “Nosso futuro – pois todos somos responsáveis pela casa onde moramos – é a questão da cidadania. O futuro de uma cidade, de uma região, de um país, depende de todos os moradores, de todos cidadãos e cidadãs. Devemos assumir a nossa parte, a nossa responsabilidade. Mas, infelizmente, não aprendemos isso. Fomos educados e formados pensando que só os governantes são os responsáveis por tudo e que ‘eu’ sou responsável apenas pelas coisas que acontecem em minha casa, esquecendo de que ela não é somente o meu lar, mas também a rua onde moro, o bairro, a cidade, o estado, o país, o continente, o mundo….”

Padre José denunciava o aviltamento do homem pelo capital, impessoal e voraz: “A realidade nos mostra que o modelo de desenvolvimento em vigor exclui milhões de seres humanos de terem uma vida digna. A finalidade, o objetivo do desenvolvimento não é mais o ser humano, ou a vida para todos, mas sim o lucro. A ganância da elite, o querer ficar sempre mais rico, o querer ter sempre mais, o nunca está contente com que já se possui e querer acumular sempre mais bem por uma parcela da humanidade, empobrece a vida da massa. Exclui uma multidão de ter uma vida mais humana e faz com que centenas de milhões de seres humanos tenham de ‘sobreviver’ com uma moeda por dia”.

E, dando voz ao ambientalista, prossegue: “Faz a fauna e a flora desapareceram e faz dos rios e dos mares os depósitos do lixo produzido…Assim não dá para continuar. Devemos mudar de rumo, aprendendo em função dos erros do passado”. Neste ponto, Padre José aponta o caminho da salvação da sociedade: “Mudar de rumo significa concretamente olhar, em primeiro lugar, para os excluídos, os nãos abastecidos, os esquecidos. Ou seja, devemos olhar, em primeira instância, para os desempregados, para os pequenos produtos rurais, para as pequenas empresas, para os índios, para os pescadores, para os sem-terra, sem-teto, sem-escola etc”.

Depois apela para a união que, segundo o surrado, mas inquestionável jargão, faz a força: “Juntos, com todos esses setores, temos de tentar salvar e recuperar as nossas irmãs e irmãos mais atingidos e ameaçados pelo atual modelo [ de desenvolvimento] cruel, como também a fauna e a flora, os rios, os riachos, as cachoeirinhas, o mar e o solo”. Do contrário, “com o futuro já comprometido, não teremos futuro”.
Padre José recusava a pecha de “profeta”: “Não sou profeta no sentido de prever ou anunciar as coisas que acontecerão, aliás, esse é um conceito errado de profeta. Quero apenas anotar alguns pensamentos que, quem sabe, poderão ser úteis e levados em conta ao construirmos o nossos futuro’. Seguia, pois, como no poema de Carlos Drummond de Andrade,de mãos dadas com todos, pois, para ele, como para o poeta mineiro, o tempo era sua matéria, “o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.

Um episódio demonstra a solidariedade, o senso de justiça e a disposição cristã de perdoar que regiam as ações do religioso. Um recém-nascido fora encontrado no lixo. Descoberta, a mãe virara objeto de opróbrio na cidade. Na missa, Padre José aproveitou a pregação para falar do preconceito vigente contra a mãe solteira, questionou as condições da pobre mulher para criar o filho, a educação que ela recebera, as armas de que dispunha para lutar contra a fome, a miséria e o limbo em que se transformara a sua existência. Falou para uma plateia silenciosa e só faltou arrematar: “Quem, dentre vós não tiver pecado, que atire a primeira pedra”.
“O silêncio tomou conta da igreja e acredito que, como eu, muitas pessoas devem se recordar daquela pregação, não como um simples discurso, mas como uma lição de justiça e humanidade”, relembra, muitos anos depois, a professora Enelita de Souza Freitas, mestre em Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG e ex-docente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

LIVRO RESGATA A TRAJETÓRIA DO PADRE DOS EXCLUÍDOS

Padre José fala em audiência pública que discutiu plantio do eucalipto.

Padre José fala em audiência pública que discutiu plantio do eucalipto.

A trajetória humanista do religioso é resgatada no livro Padre José, um homem singular e plural, organizado por Enelita, juntamente com as professoras Helânia Thomazine Porto, Maria Mavanier Assis Siquara e Nelcida Maria Cearon, numa justa homenagem ao padre holandês que se naturalizou brasileiro e, por quatro décadas, incensou de fé e coragem boa parte do extremo-sul da Bahia. Publicado pela Frama Editora, o livro traz artigos e depoimentos sobre José Koopmans e até poemas a ele dedicados. Em seu depoimento, o poeta e jornalista Almir Zarfeg, de Teixeira de Freitas, recorda a primeira lição de Padre José: “Se você pretende mudar alguma coisa à sua volta, modifique a si primeiro, pois, você não conseguirá mudar alguém, enquanto não mudar a si mesmo”.

Já a arterapeuta Jeane Thomazine Baltar pinça outro habilidade do religioso, a de realizar intervenções com técnicas de abordagem holística, como a Radiestesia (para avaliações do campo energético), e Radiônica (método parafísico de diagnóstico e tratamento e o emprego de Florais de Bach (uso de algumas flores silvestres para tratar desequilíbrios nos níveis vibratórios, mentais, emocionais e físicos).
O médico veterinário Carlos Augusto Pinheiro Chagas ressalta o discurso político do padre: “Um de seus pensamentos políticos é o de que importa fazer com o povo e não para o povo. Quem faz para o povo coloca interesses que não são os do povo e este precisa desenvolver uma consciência crítica, visando o bem próprio e a construção de uma sociedade justa e solidária”. E, depois, como se houvesse se dado conta de algo que parecia impossível, comenta: “Pela primeira vez em minha vida, fui amigo íntimo de um padre”. E o padre José , acrescentaríamos, foi amigo íntimo de todo um povo, a gente pobre e simples do extremo-sul da Bahia, na qual personificou todo o seu mais amplo rebando: o próximo que soube (oh, difícil missão!) amar como a si mesmo.

(Publicado no site http://www.bahiaempauta.com.br)

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ANDAIMES DA INTOLERÂNCIA outubro 29, 2014

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(Artigo publicado na edição de 29 de outubro do jornal Correio*, de Salvador)

intolerância

Depois das eleições de 1989, a primeira direta para presidente da República após a redemocratização do país, e também a mais acirrada do ponto de vista ideológico (basta lembrar que Leonel Brizola era um dos candidatos), muitos apressados disseram que o Brasil saia das urnas irremediavelmente dividido. Na época votei em Brizola, no primeiro turno, por considerá-lo mais preparado do que Lula para vencer Fernando Collor de Mello, num eventual segundo turno. Achava que as forças conservadoras inflavam a candidatura de Lula para se livrar de Brizola, adversário perigoso, de língua afiada (tanto que num memorável debate pela televisão definiu Paulo Maluf como “filhote da ditadura”), acostumado a duros combates, como o da Cadeia da Legalidade, que garantiu a posse do Presidente João Goulart, após a renúncia atabalhoada de Jânio Quadros. No segundo turno, claro, carimbei o voto em Lula.

Após a eleição de Collor dizia-se, nos quatro cantos do país, que o Brasil estava dividido, como se à beira de uma secessão ou de uma guerra civil. Ainda atordoado pela derrota, o PT até aventou a possibilidade de criar um “governo paralelo”, como se a eleição, por mais que não gostássemos do resultado, não tivesse sido legítima, apesar dos golpes baixos, como a manipulação da notícia sobre último debate pela Rede Globo, para beneficiar Collor, mostrando, no seu principal telejornal, um Lula acuado nas cordas e um Collor aguerrido como um galo de briga. Porém, o que se viu depois foi um país que empreendeu um refluxo para a convivência pacífica e democrática, e que não se dividiu, ao contrário do que vaticinavam os arautos da discórdia. Não houve divisão, mas a vigilância sobre aos atos do novo governo permaneceu acesa, como deve se manter no regime democrático. Tanto que não demorou e os brasileiros, inclusive os que votaram em Collor, saíram às ruas para pedir o impeachment do presidente da República. (mais…)

GALLO QUE TECE A MANHÃ DAS LETRAS – IBSEN, ORTEGA Y GASSET E JOÃO ANTÔNIO. fevereiro 24, 2013

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Um inigo do povo

A luta de Mayrant Gallo pelo respeito à literatura – do mais renomado escritor ao mais obscuro gráfico, só para abarcar a rede que produz o livro – não é isolada. Em seu esforço por fazer respeitar a literatura na Bahia, Mayrant Gallo se insurge contra a maré vazante da mediocridade, incluindo   um lumpesinato pseudo-literário, que não escreve, não publica, tem horror a  quem o faz e se esconde no mais covarde anonimato. (mais…)

PLANO ESTADUAL DO LIVRO E DA LEITURA PARA BOI DORMIR fevereiro 24, 2013

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            Leitora

                                                                                                                                              Por Mayrant Gallo


Você sabia que a Secult-BA e a Sec-BA estão elaborando um Plano Estadual do Livro e da Leitura? Os responsáveis pela empreitada, e que encabeçam a Comissão Executiva e a Presidência, são as duas sumidades que se seguem, ambas funcionárias da Secult-BA e mulheres de confiança do Sr. Albino Rubim.
A diretora da Biblioteca Monteiro Lobato, Rosane Rubim, que jamais leu um livro sequer, é amiga de infância de qualquer pessoa famosa, com algum poder em mãos, e, como se isso fosse pouco, é irmã do Secretário de Cultura, Albino Rubim, que a protege em todos os recreios, embora em público só a trate por Rosane, com receio de pronunciar o próprio nome e ser tomado também por uma alimária.
 
Laura Bezerra, que passa as reuniões a declinar um mantra, sempre que é convocada a opinar: “Acho que devemos ter muito cuidado com certas afirmações”. Desconfia-se de que ela seja um robô e esteja com algum curto circuito irreparável. É a Bahia na vanguarda da tecnologia!
 
Esta ilustre dupla tem o aval do secretário, que, além de fazer da Secult-BA um laboratório de suas teorias de sala de aula e empossar, sob o incentivo de altos salários, seus ex-alunos e compadrio do meio acadêmico, tem a pretensão de, sem ouvir nem consultar os componentes da Rede Produtiva do Livro, criar um Plano Estadual do Livro e da Leitura. Só se for para boi dormir!
 
Este secretário está mais interessado em eleitores do que em leitores, e por isso, com sua indiferença e seu desdém para com o livro, a leitura e a literatura na Bahia, promove a falência do setor, empurrando os escritores para os seus editais burocráticos, cujos recursos ou não são liberados ou o são somente para alguns, mais iguais que outros. Como bem disse Tostão, certa vez, se referindo ao técnico Luxemburgo, o Sr. Albino Rubim é do tipo que costuma, no Natal, dar e receber panetones. Deveria abrir uma padaria, mas que, obviamente, não seria nada espiritual.
 
E neste começo de ano, pós-morte do prof. Ubiratan Castro de Araújo, o secretário parece, mais do que nunca, desejoso de ajustar para baixo a imagem da Fundação Pedro Calmon, que, com as ações desenvolvidas nos últimos anos, ofuscou a Secult-BA e, claro, a figura do próprio secretário, mosca tonta para a benesse de sua trupe.
 
É lamentável que o insigne governador Jacques Wagner, em quem a massa de eleitores da Bahia depositou todas as esperanças de reformulação social, educacional e cultural, ainda se deixe enganar por estes “colaboradores” da cultura baiana. Nós escritores estamos vivos, governador! A Bahia não pode ser só carnaval e aparência. Nosso estado, como os demais do Brasil, produz literatura, ideias e pensamentos profundos, que, no entanto, se não são publicados, morrem por aqui. Ou será que todos pretendemos continuar a alcunha risível de que esta é a Bahia de Jorge Amado, como arrota, sempre que pode, a amiga de todo mundo, a Sra. Rosane Rubim?

PAIS, OS PRIMEIROS MESTRES – A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. abril 12, 2011

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Família e escola juntas para formar pequenos cidadãos.

Por Andréia Lima Borges*

A primeira forma de educação que a criança recebe é a doméstica, proveniente dos pais, espelho e referência na tenra idade. Portanto, o comportamento na primeira infância vai refletir as atitudes da família. Uma família desestruturada por brigas constantes, pela droga ou o abuso do álcool, sem dúvida, será responsável pelas primeiras manifestações da criança no âmbito das relações inter-sociais e no campo dos primeiros passos da socialização. Um menino ou menina de comportamento tímido e retraído, com dificuldade na aprendizagem e no relacionamento com os colegas,pode indicar problemas originados em casa. (mais…)

Desenvolvimento e meio ambiente fevereiro 19, 2011

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Se o Ministério Público existisse, na época em que Deus criou o mundo, a obra da criação teria sido embargada lá pelo terceiro dia, ficando inacabada e quem sabe sem a presença do homem, a mais imperfeita das criaturas. A piada me ocorre a propósito das reiteradas contendas entre os gestores públicos responsáveis por programas de desenvolvimento, com reflexos na proteção do meio ambiente, ecologistas , juízes e promotores públicos. (mais…)

VISIONÁRIO BIOENERGÉTICO outubro 4, 2010

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Capa da revista Caros Amigos.

 

– Físico baiano, Bautista Vidal demonstra como o Brasil pode se tornar a maior potência mundial em energia.

Há uma diferença sutil entre o homem utópico e o visionário. A utopia situa-se no campo do desejo, daquilo que a porção mais generosa da humanidade gostaria de ver concretizado – uma vida melhor e mais digna para todos, a preservação da natureza num ambiente predatório de competitividade industrial, o respeito sagrado às diversidades que, na dialética social, diferenciam e complementam a humanidade; enfim, um “pacote do bem”, para usar uma expressão em voga num tempo “politicamente correto” e socialmente injusto. (mais…)

CETICISMO POLÍTICO outubro 1, 2010

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Para Bertrand Russel, sempre se deve duvidar dos políticos.

Com humanismo visceral, lucidez cartesiana e ceticismo radical, o filósofo britânico Bertrand Russel (1872-1970) foi uma espécie de iluminista do Século XX, por combater o obscurantismo de seu tempo. Sua doutrina era o ceticismo. “Não é desejável acreditar em uma proposição quando não existe nenhum fundamento para supô-la verdadeira”, dizia o pensador. Na defesa do ceticismo como um valor moral, Russel advogava que “nunca sabemos o suficiente para estarmos certos se um curso de uma ação é mais sábio que o outro”. Daí, a cautela em relação todo tipo de ação açodada e voluntariosa.

Russel tinha ojeriza às opiniões passionais, corriqueiras em política e religião. Para ele, “a paixão é a medida da falta de convicção racional de seu defensor”. Cético, inclusive , em relação ao próprio ceticismo – para não cair no gesso do dogmatismo – ele pregava o ceticismo político.

À véspera das eleições de domingo, o ceticismo político, exercido com lucidez, pode ajudar o eleitor a evitar as mirabolantes promessas eleitoreiras e a comprar gato lebre (um Tiririca por um Protógenes Queiroz). Porém, a ilusão – sonho imediatista de uma vida melhor – e o ilusionismo (promessas inexequíveis de campanha) fazem parte do cardápio eleitoral. Por isso, o pensador britânico dizia que boa parte das pessoas acreditam que todos males dos quais padecem “poderiam ser curados se determinado partido político estivesse no poder”.

E acrescenta: “Um homem vota em um partido e permanece infeliz; ele conclui que era outro partido que traria o período de felicidade e prosperidade. No momento em que tivesse desencantado com todos os partidos, já seria um homem idoso, à beira da morte. Seus filhos trariam a mesma crença de sua juventude e a oscilação continua”.

Russel não prega a descrença na democracia, no sufrágio universal, o voto nulo ou coisa que o valha, mas a desconfiança em promessas messiânicas e redentoras tão gosto dos partidos, independentemente de matizes ideológicos.

(Artigo publicado na página de opinião do jornal A Tarde, de 1º de setembro de 2010)

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